A Estratigrafia - Sobre Geologia

19/08/2018

A Estratigrafia


A Estratigrafia

A estratigrafia é a ciência do ramo da geologia responsável por estudar as estruturas, a composição química e mineralógica dos estratos, ou camadas, de rochas sedimentares com o intuito de determinar os eventos que sucederam sua formação possibilitando assim a interpretação da história geológica. Entre as informações obtidas a partir da descrição e análise das rochas estratificadas estão: o seu ambiente de formação, dados de clima da região em determinado tempo geológico, a datação de rochas e consequentemente a idade de um fóssil.

 
Foto1: The Wave, Arizona, EUA.
Fonte: The Wow Style

É atribuído a Nicolaus Steno (1638-1686) o título de pai da estratigrafia, pois seu pensamento mudou a percepção das pessoas com relação aos fósseis no fim do século XVIII, sendo essencial para o desenvolvimento das geociências. Ele descreveu e  catalogou centenas de fósseis comparando-os com seus respectivos correspondentes modernos, com esses estudos a Paleontologia foi ganhando espaço ao lado da Geologia. Em 1669 publica pródomo de sua dissertação “De solido intra solidum naturaliter contento dissertationis prodromus” (Um Sólido Natural Contido em Outro Sólido), tal obra contém três dos principais princípios estratigráficos: Princípio da Superposição de camadas, Princípio da  Horizontalidade Original, Princípio da Continuidade Lateral.


Imagem 1: Pródomo de Steno
Fonte: Ese punto azul pálido

Princípio da Superposição de Camadas:

Válido somente para estratos que estiverem em sua posição original, ele afirma que as camadas mais recentes sempre irão sobrepor as camadas mais antigas.

Fonte: LNEG

Princípio da Horizontalidade:

O estrato quanto sua formação, tem seus sedimentos depositados horizontalmente e paralelos a superfície de contato.


Fonte: Mundo Educação

Princípio da Continuidade Lateral:

As camadas se estendem até a borda da bacia de deposição ou se afinam lateralmente. Este princípio ajuda correlacionar a idade e a posição inicial de dois pacotes de rochas  contendo mesma sequência de estratos, quando posicionados em determinada distância.

Princípio da instersecção:
 A rocha que intersecta é mais jovem que as rochas intersectadas.

Princípio da Inclusão:

Fragmentos de rocha quando inclusos em outra rocha, são mais antigos que a rocha hospedeira.


Fonte: Google Imagens



A Litoestratigrafia:

Estuda a composição e disposição de camadas sedimentares no espaço e no tempo. Chegando a um agrupamento das unidades em membros, que sucessivamente são agrupados em formações (a unidade estratigráfica padrão), seguindo de grupos.
Como exemplo podemos falar das camadas de calcissiltitos membros da Formação Salitre, pertencente ao grupo Una.


Fonte: Rupestre Web Brasil

A relação espaço-temporal estabelecida pela litoestratigrafia, dita estratigrafia genética, engloba a geometria dos depósitos, assim como as descontinuidades que os delimitam, possibilitam correlacionar fácies equivalentes, que seriam pacotes de rochas com características distintas, sejam elas paleontológicas ou litológicos, porém se equivalem a uma mesma época paleogeograficamente falando.
A área da litoestratigrafia se expande e desenvolve principalmente no âmbito das pesquisas petrolíferas, este crescimento é atribuído ao uso de métodos geofísicos aplicados a estratigrafia genética, sendo os principais as diagrafias e a reflexão sísmica. A sísmica permitiu explicar a geometria dos corpos sedimentares, assim como sua a compreensão das suas relações espaço-temporais o que era inacessível numa região de afloramento, interpretações sedimentares em subsuperfície. O que implicou no desenvolvimento da sismoestratigrafia, a base para a estratigrafia de sequências.
A reflexão sísmica pode estar relacionada a discordâncias, contatos paraestratigráficos (óleo, água, intrusões, variações de fácies, etc), limites de unidades, ruídos e distorções.
As diagrafias possibilitam leitura composicional indireta das camadas, correspondem a um conjunto de registros de parâmetros e propriedades físicas dos sedimentos (resistividade, densidade, radioatividade natural, etc). Interpretação das fácies podem ser feitas posteriormente à correlação de amostras de  testemunhos, ou amostras de calha de menor custo, com os picos dos sinais diagráficos.


Fonte: Google imagens

Bioestratigrafia:

Um dos fundamentos da estratigrafia foi estabelecer uma escala do tempo geológico com base na utilização dos fósseis. Os fósseis não fornecem uma idade “absoluta” mas ainda são uma das melhores ferramentas para a cronologia relativa. Os fósseis estratigráficos são os organismos de grande extensão geográfica e de rápida evolução, são exemplos os trilobitas, os criptógamos vasculares, as amonites, etc. Eles permitem uma classificação de um estrato ou um terreno, pelo seu conteúdo biológico.
Uma cronozona se define como o conjunto de camadas sedimentares depositadas em um período que começa a aparição de determinada espécie e termina com sua última aparição, e uma biozona de uma espécie corresponde ao volume de camadas sedimentares que os contém, em um referencial de espaço-tempo.

Fonte: FCUL

Radioestratigrafia:

Estimar as idades, a duração dos processos geológicos são umas das principais metas da geocronologia. Já citamos os termos cronologia relativa e absoluta, o que pode transmitir a errônea ideia de precisão, e muitas vezes dados mas precisos são obtidos por cronologia relativa do que a cronologia absoluta parba a distinção de dois eventos geológicos.
A radiocronologia é considerado um dos métodos de datação absoluta, uma aplicação das descobertas sobre os processos de radioatividade. Quando há um isótopo radioativo de um elemento contido em algum mineral, partindo do momento de sua cristalização, este elemento se desintegra progressivamente, um fenômeno irreversível também chamado decaimento radioativo.
Como exemplo podemos tomar o método do radiocarbono, ou carbono 14, um método desenvolvido por Willard Libby um físico-químico americano que propôs que um isótopo do carbono instável (os isótopos estáveis são o carbono 12 e 13) e levemente radioativo, poderia existir em matéria viva. Libby e sua equipe publicaram o primeiro documento de datação por carbono, e em 1960 Willard Libby recebe o Prêmio Nobel De Química por suas pesquisas e descobertas na datação por radiocarbono.
Quando sabemos a quantidade de carbono 14 que é deixado em uma amostra, ele indica a idade do organismo no momento em que morreu.
 Ele é produzido na alta atmosfera por bombardeamento de nêutrons de átomos de nitrogênio. As plantas e os animais assimilam o carbono 14 a partir do CO2 ao longo de suas vidas, ao morrerem essa troca deixa de existir e com o a não renovação há um decaimento radioativo.



Fonte: Howstuffworks

Magnetoestratigrafia:

É uma técnica cronoestratigráficaca que permite datar rochas sedimentares e vulcânicas. O campo magnético terrestre vigora no momento da deposição de sedimentos, e como consequência ocorre a imantação remanente natural as rochas sedimentares, que segue a direção do campo
Com isso as séries sedimentares fornecem a sucessão das inversões de polaridade do campo geomagnético, estabelecendo constituída por magnetozonas normais (com direção igual a do campo atualmente) ou magnetozonas inversas. O fornecimento de intervalos iguais de tempo independente do meio , e em função do fenômeno de inversão é o objetivo da magnetoestratigrafia.

Fonte: Mito Revista Cultural 
Conclusão:

Os estudos na área da estratigrafia revolucionaram a perspectiva sobre a idade do planeta Terra, que na antiguidade acreditava-se possuir 6.000 anos, possibilitou um novo olhar também  sobre os fósseis. Contribuiu em avanços para a biologia com os princípios da evolução darwiniana, com a criação da escala do tempo, um importante instrumento utilizado na geologia e na paleontologia, assim como em estudos de cunho econômico como a prospecção mineral e petrolífera. A estratigrafia evolui e se expande com novas concepções e aplicações no cotidiano, se mostra uma área promissora e que vem atraindo muitos interessados  nos últimos anos.

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Referências:

POMEROL,C. et.al. Princípios de geologia: técnicas, modelos e teorias. 14 ed. Porto Alegre: Bookman,2013.



https://www.radiocarbon.com/portugues/sobre-carbono-datacao.htm

Artigo escrito por Letícia Brito e revisado por Isabel Schulz





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