Oásis - O paraíso do deserto - Sobre Geologia

18/03/2018

Oásis - O paraíso do deserto

Eles sempre fazem participação especial em filmes no deserto, e todo mundo já ouviu falar! São sempre retratados como lindas miragens, com água limpa e brilhante sob o sol ardente, com altas palmeiras e vegetação viçosa: esses são os oásis, e é deles que vamos falar no artigo de hoje!

Oásis de Huacachina, na região peruana de Ica. Foto por: Diego Delso

Introdução


Um oásis é uma porção de terra tornada fértil pela presença de água numa região desértica. Para tal, essas áreas têm o fornecimento de água feito por um aquífero, uma reserva de água subterrânea — sobre as quais nós já falamos aqui no blog. Essa fonte de água favorece o surgimento de diversas espécies de vegetação típica, como palmáceas.
Para a formação de um oásis, é necessário que o vento, principal agente intempérico das regiões desérticas, escave uma depressão. Esse processo de "escavação" por erosão eólica chama-se deflação, que formam as chamadas bacias de deflação. Para que estas se tornem oásis, é preciso que a depressão alcance o nível freático, atingindo a Zona Saturada, onde os poros das rochas ou entre sedimentos são preenchidos apenas por água.
É preciso que existam rochas nessa área, para que as sementes sejam protegidas pela ação do vento, e possam geminar, e para que o lago não seja soterrado novamente. Por muitas vezes, comunidades plantaram árvores resistentes  nos arredores desses oásis, para preservar essa reserva d'água. O processo de deflação ocorre mais lentamente em áreas vegetadas, pois as raízes prendem o solo e os caules e folhas interrompem as correntes de ar.

Processo de formação de um oásis. Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/geologia/geologia_geral/unid1_cap5.html


Desertos e Intemperismo

Por definição da CPRM (Serviço Geológico do Brasil), um deserto é uma região estéril, que sustente poucas formas de vida. Desse modo, a região da Antártida pode ser considerada um deserto. No entanto, geralmente fala-se muito mais das áreas secas, áridas, com grande amplitude térmica. Um exemplo é o Deserto do Atacama, no Chile, e o Deserto do Saara, que abrange diversos países do continente africano. Nessas regiões, é comum chover menos de 130mm de chuva ao ano. Em alguns casos, até menos de 5mm — em comparação à região da Mata Atlântica Brasileira, que pode chover até 800mm ao ano, segundo o CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos).

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Deserto do Atacama, no Chile. Foto por: Circumnavigation/Shutterstock.

Mapa com principais áreas desérticas no mundo. Fonte: Na imagem. Mapa retirado do livro Para Entender a Terra, 6ª edição, por John Grotzinger e Tom Jordan.

Como dito anteriormente, o vento é o principal agente erosivo/intempérico dessas áreas desérticas — que ocupam aproximadamente 20% do território mundial. O vento exercer o mesmo tipo de força sobre partículas que uma corrente fluvial. Dependendo do tamanho dos grãos, a ação eólica pode carregá-los por quilômetros, arredondá-los, fazê-los saltar ou rolar pelo chão. Por exemplo, é assim que as dunas se "movimentam". A capacidade do vento de transportar clastos de até certa granulometria gera um ótimo selecionamento do sedimentos, e sua direção fica marcada nas dunas com as estratificações.
É somente em função da força do agente eólico que é possível a formação das bacias de deflação — e, em casos específicos, dos oasis.

Importância Histórica

As comunidades que viveram e vivem em desertos só puderam se desenvolver às margens de rios e oásis, onde montavam suas casas e plantavam seus alimentos. Nessa área, cultivava-se figo, trigo, arroz, feijão e cevada, além das tâmaras — cultivadas há milênios em regiões de oásis, e hoje um dos principais produtos das comunidades do deserto do Saara.
Uma das maiores reservas subterrâneas de água fica justamente abaixo do deserto do Saara, no continente africano, por isso o lugar conta com mais ou menos 90 oásis. No entanto, devido ao deserto ser tão vasto, pode-se levar dias para chegar de um ao outro. Por essa razão, os oásis sempre  foram e são parte essencial das rotas de viagem. Foi graças a esses lagos que mercantes puderam desenvolver rotas comerciais que atravessavam o Saara, já que podiam repôr seu estoque de água e alimentos. Desse modo, além de uma bela formação geológica e ponto turístico, o oásis também tem sua importância econômica, política e militar.

Oásis de Bahariya, Egito. Foto: Anton_Ivanov/Shutterstock

Artigo escrito por Isabela Rosario


Referências

https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/oasis/
https://www.britannica.com/science/oasis-geological-feature
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/oasis.htm
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/geologia/geologia_geral/unid1_cap5.html
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Desertos-1276.html
GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas. Para Entender a Terra - 6ª Ed. 2013.

2 comentários:

  1. Bem elucidativo o artigo, parabéns.

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    1. [COMENTÁRIO DO ADMINISTRADOR] Agradecemos pelo seu feedback, é muito valioso para os escritores do SG!

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