Falhas e Relevos em Estruturas de Falhas - Sobre Geologia

25/03/2018

Falhas e Relevos em Estruturas de Falhas

Quem já visitou Salvador, capital baiana, certamente conheceu um dos mais famosos pontos turísticos da cidade: o Elevador Lacerda. Porém, nem todos sabem que esse transporte público e cartão postal soteropolitano liga a Cidade Alta à Cidade Baixa devido ao desnível causado por uma grande feição geológica: A Falha de Salvador. No post de hoje, conheceremos mais sobre as falhas, seus elementos, tipos e sobre o relevo formados por elas. 

Fonte: CPRM/Petrobras


As falhas são feições geológicas que se formam quando rochas em estado rúptil na crosta terrestre são deformadas. Elas são caracterizadas pela presença de blocos deslocados segundo um plano, ao longo da superfície. Além disso, podem aparecer como superfícies isoladas até grandes regiões deformadas - as zonas de falha. Geralmente, os relevos resultantes de falhas são facilmente reconhecidos em fotos aéreas e imagens de satélite por serem bem estruturados. As referências estratigráficas também facilitam o seu reconhecimento, em alguns casos. Em outros, essa observação pode ser mais difícil devido a intensa cobertura vegetal. Essas feições estão associadas a diversos ambientes tectônicos e regimes deformacionais compressivos, distensivos e cisalhantes. 


Elementos de uma Falha


  • Plano de falha: é a superfície resultante do falhamento, que indica o deslocamento da falha; 
  • Escarpa de falha: é a parte evidenciada da falha na topografia;
  • Espelho de falha (ou slickenside): superfície lisa e brilhante que pode ser formada através do atrito entre os blocos;
  • Rejeito de falha: é a medida do deslocamento linear dos blocos; 
  • Linha de falha: é a linha gerada pela intersecção entre o plano de falha e o plano horizontal. 
Elementos de uma falha. Imagem: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap2/

Principais tipos de falhas



  • Falhas normais: quando a capa desce em relação à lapa. Estão associadas comumente com a tectônica distensiva; 
  • Falhas reversas ou inversas: quanto ao movimento relativo dos blocos, a capa sobe em relação à lapa; 
  • Falha transcorrente: neste tipo de falha, o movimento entre os blocos adjacentes é horizontal. E, ainda, quando o bloco observado é deslocado para a direita, classifica-se o deslocamento da falha como dextral; quando o bloco observado é deslocado para esquerda, sinistral.


A falha de San Andreas, na Califórnia, é um exemplo de falha transcorrente. No nordeste brasileiro, destacam-se as falhas de Pernambuco (PE), Patos (PB) e Sobral-Pedro II (CE e PI). Na região sudeste, se destacam as falhas de Jundiuvira e Taxaquara e a Falha de Cubatão (SP). 

Relevo em Estrutura de Falhas


Estruturas falhadas comuns são originadas por um conjunto de falhamentos. Os principais tipos de estruturas são: 


  • Em degraus: vários desníveis que somados resultam em um grande desnível; 
  • Em horsts: blocos elevados, delimitados lateralmente por falhas; 
  • Em graben ou fossa tectônica: correspondem a blocos rebaixados, preenchidos por sedimentos. Os grabens do Paraíba do Sul no Estado de São Paulo e Recôncavo na Bahia são exemplos dessas estruturas no Brasil.
Relevo em estrutura de falhas: horst e graben. Autor desconhecido.

 

Em falhas normais e transcorrentes, é notável um relevo estruturado e alinhado, com presença de vales alongados. Essas condições são acentuadas em regiões de clima tropical, pois as rochas da zona de falha se intemperizam mais facilmente em relação as rochas adjacentes. Os padrões de drenagem resultantes são os em treliça e os retangulares. 
Em relação à evolução do relevo falhado deve-se ser considerado o tipo de falha (normal, inversa ou transcorrente), além da intensidade e complexidade de outros componentes estruturais. No caso das falhas normais, a evolução morfológica pode ser relacionada ao sistema hidrográfico. Com a intensificação do entalhamento de espelhos de falhas normais, a tendência será a elaboração de facetas trapezoidais, e a abertura dos vales, causada pelo processo de denudação, poderá transformá-las em triangulares. 
Com o processo gradativo de erosão, pode ocorrer o recuo da escarpa de falha, que é o que acontece na falha de Cubatão, em São Paulo. 

No caso da Falha de Salvador, o relevo originado foi o em degraus, e o seu rejeito mede aproximadamente 6.000 metros. Porém, um fato curioso é que o desnível entre as Cidades Alta e Baixa é de apenas 74 metros. Qual seria a razão dessa diferença? A explicação está na formação de uma calha que foi preenchida por sedimentos (fragmentos rochosos) ao longo do tempo geológico. 


Referências Bibliográficas: 

  • <https://www.cprm.gov.br/publique/media/gestao_territorial/geoparques/Painel_Falha.pdf> acessado em 25/03/2018
  • <http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap2/> acessado em 24/03/2018
  • <http://www.neotectonica.ufpr.br/aula-geologia/aula10.pdf> acessado em 24/03/2018
  • TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra.1 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.

Escrito por Amanda Couto e Revisado por Isabela Rosario.

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