Petrologia Sedimentar III - Classificações e tipos de rochas sedimentares

No artigo desta semana daremos seguimento à série petrologia sedimentar e iremos abordar os tipos de rochas sedimentares.


É importante ressaltar que para uma melhor compreensão deste artigo é interessante conferir os dois outros artigos precedentes: o primeiro sobre tipos de sedimentos e suas classificações e o segundo a respeito da litificação e dos processos diagenéticos.


Pacotes sedimentares erodidos
Retirado de: https://www.infoescola.com/geologia/rochas-sedimentares/


Em uma análise mais ampla as rochas sedimentares se dividem em três tipos: rochas clásticas (ou detríticas, terrígenas ou ainda siliciclásticas), químicas e biogênicas. Essa classificação das rochas sedimentares se baseia na gênese dos sedimentos que as compõem - como foi aprofundado na primeira parte dessa série. (clique aqui para acessar o artigo)


As rochas clásticas são aquelas compostas por clastos, ou seja, partículas desagregadas de outras rochas após uma série de processos intempéricos e que se depositam e passam por processos de litificação se transformando em material rochoso.
Processo de erosão, transporte e deposição de sedimentos clásticos.
Retirado de: http://professormarciosantos5.blogspot.com.br/2016/02/intemperismo-e-ciclo-sedimentar.html

Um dos parâmetros utilizados para classificar as rochas sedimentares clásticas é a granulometria dos sedimentos. Com base nesse parâmetro as rochas sedimentares clásticas podem ser divididas em lutitos, arenitos e ruditos, que são termos de origem latinas, ou em seus equivalentes com termos de origem grega: pelitos, psamitos e psefitos.


O nome lutito/pelito diz respeito à rochas de granulometria predominantemente bastante fina com tamanhos silte grosseiro a argila, segundo a escala de wentworth. Já as rochas que apresentam uma granulometria mais grosseira com o tamanho dos clastos variando de areia fina a grossa são chamadas de arenito/psamito. Por fim as rochas que apresentam uma granulometria ainda mais grosseira, variando de grânulo a matacão segundo a escala de wentworth são chamadas de ruditos/psefitos.

Lutito/Pelito
https://en.wikipedia.org/wiki/Sediment
Arenito/Psamito
Retirado de: http://carlosrabello.org/geografia/geologia/rochas-e-minerais/arenito/

Rudito/Psefito com presença de matriz
Retirado de: http://gracieteoliveira.pbworks.com/w/page/45995194/Tipos%20de%20Rochas


Todavia, nem sempre uma rocha apresenta apenas uma classe granulométrica de maneira homogênea. Para esses casos se utiliza uma nomenclatura composta. Por exemplo: uma rocha com 70% de areia e 30% de silte ou argila é um arenito lutáceo. Se as proporções forem inversas a rocha é um pelito arenáceo. Sendo assim, é convencionado uma proporção limítrofe entre um arenito e um arenito lutáceo na casa de 75% de areia.


Outro parâmetro utilizado para dar nome às rochas é a mineralogia.


As rochas arenáceas tendem a ser constituídas majoritariamente  por sedimentos quartzosos e, em menor escala, sedimentos feldspáticos e fragmentos de rocha.  A partir disso, é possível classificar os arenitos em três tipo quanto à sua composição: quartzo arenitos, quando há cerca de 90 - 95% de quartzo, chert ou fragmento de rocha quartzosa; arenitos feldspáticos, quando há menos de 90% de sedimentos quartzosos e de 10 - 80% de feldspato e necessariamente contém mais feldspato do que fragmentos de rocha; e arenitos líticos quando há menos de 90% de sedimentos quartzosos e há mais fragmentos de rochas do que feldspatos na composição.


Quartzo Arenito
Retirado de: http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/arenitos.html

Arenito Lítico
Retirado de: http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/arenitos.html

Arenito Feldspático
Retirado de: http://w3.ufsm.br/msrs/index.php/explore/rochas
Já no caso das rochas rudáceas a classificação mineralógica se dá em duas etapas. Na primeira etapa, a rocha é classificada quanto à diversidade na composição dos clastos que a compõem em dois tipos: polimítica, ou seja muita diversidade e oligomítica, pouca diversidade. Um rudito polimítico é aquele em que mais de duas litologias são necessárias para constituir 90% da composição da rocha, ao passo que o rudito oligomítico é aquele em que apenas duas litologias constituem mais de 90% dos sedimentos.


Na segunda etapa, a rocha é classificada de maneira semelhante à classificação mineralógica das rochas arenáceas, lançando mão, inclusive, das mesmas proporções de quartzo, feldspato e fragmentos de rocha. Dessa maneira, tem-se quartzo ruditos, ruditos feldspáticos e ruditos líticos.
Quartzo Rudito
Retirado de: http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/conglomerado.html
Para as rochas lutáceas é muito comum a utilização do diagrama Alling, proposto em 1945, o qual leva em consideração a proporção de três componentes (cada um em um vértice do triângulo): argilominerais (filossilicatos hidratados), sílica e carbonatos. A aplicação desse diagrama não se limita às rochas clásticas mas pode ser utilizado para rochas químicas e biogênicas, inclusive devido ao fato de que a maioria das rochas lutáceas silicosas ou carbonáticas têm origem química ou biológica.
Diagrama de Alling que leva em consideração a composição mineralógica e a estrutura sedimentar
Retirado de: http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/sedimentares1.html
A presença ou ausência de matriz em um rocha também pode ser usado como critério para sua classificação. Vale lembrar que matriz consiste em material clástico fino que se encontra no espaço entre os grãos maiores de um arenito ou rudito.


No caso dos arenitos, se houver mais de 10% de matriz na composição da rocha, essa passa a se chamar wacke.


Já para o caso dos ruditos há a distinção entre paraconglomerado e ortoconglomerado. O principal ponto de distinção entre as duas rochas é que os paraconglomerados são “sustentados” pela matriz, enquanto os ortoconglomerados são “sustentados” pelo arcabouço. Alguns autores sugerem que os paraconglomerados são aqueles que apresentam mais de 15% de matriz em sua composição, ao passo que os ortoconglomerados apresentam menos de 15% de matriz. Uma maneira fácil de fazer essa diferenciação em campo é analisar se os clastos grossos (acima de 2mm) se tocam ou se são separados pela matriz.


Diferença entre paraconglomerados e ortoconglomerados 
Retirado de: http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/sedimentares1.html
Há ainda o critério arredondamento para a classificação de rochas sedimentares. Apesar deste critério não ser formalmente muito usual, a análise do grau de arredondamento/angulosidade dos sedimentos presentes na rocha pode indicar o nível de transporte ao qual eles foram submetidos. Assim, pode-se se observar uma distinção nas rochas rudáceas de arcabouço arredondado e arcabouço anguloso. Aquelas que apresentam sedimentos angulosos como arcabouço são chamadas de brecha ao passo que aquelas que apresentam o arcabouço arredondado são chamadas de conglomerados.
Retirado de: http://sopasdepedra.blogspot.com.br/2011/11/das-rochas-sedimentares-12.html
Para rochas químicas a classificação leva em consideração a porcentagem de impurezas e a granulometria destas, além de se adicionar um prefixo que diga respeito à composição química da rocha. No caso dos calcários, por exemplo, temos calcilutito, calcarenito e calcirrudito, desde que a porcentagem de impurezas clásticas seja de no mínimo 10%.


No caso das rochas dolomíticas, adiciona-se o prefixo dolo no lugar de calci: dololutito, doloarenito, dolorrudito. O mesmo vale para os fosforitos e silexitos, porém os fosforitos precisam de no mínimo 18% de P2O3 para serem classificados dessa forma (fosfalutitos, fosfarenitos, fosfarruditos) e os silexitos de 50% de sílica (silutitos, silarenitos, silruditos)


Tabela de classificação de rochas sedimentares terrígenas e carbonáticas. Os termos em azul, verde e vermelho dizem respeito a rochas exclusivamente de granulação cascalho, areia e lama, respectivamente
Retirado de: Decifrando a Terra (capítulo 14), fig 14.1, p.294

Referências:


GIANNINI, P.C.F. & RICCOMINI, C. 2000. Depósitos e rochas sedimentares. In: TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T.R.; TOLEDO, M.C.; TAIOLI, F. ed. Decifrando a Terra (capítulo 14). São Paulo, Oficina de Textos. p.294-300.

Artigo escrito e editado por Carlos Eduardo de O. Costa