#Mineralogia - Propriedades Físicas dos Minerais :: Clivagem - Sobre Geologia

18/03/2017

#Mineralogia - Propriedades Físicas dos Minerais :: Clivagem

Olá leitores!

Hoje iremos tratar sobre uma propriedade determinante na identificação macroscópica dos minerais: clivagem.

Introdução


Clivagem é a capacidade que um mineral tem de se fragmentar em planos paralelos, podendo um mesmo mineral ter mais de uma clivagem, como a cianita. Ela é fundamental pois define grandes grupos minerais como uma consequência de sua definição, que baseia-se na estrutura interna dos mesmos.
Foto da Fluorita (4 direções de clivagem), Fonte: Sávia M. Conceição

Isso ocorre porque a clivagem é uma propriedade vetorial, ou seja, ela pode variar de acordo com a direção em que ocorre no corpo do mineral.

A clivagem se apresenta visualmente com linhas retas e paralelas entre si, demonstrando um padrão de fragmentação entre as partículas do mineral. Além disso, a clivagem de uma mineral pode resultar, também no aspecto visual, e algumas "formas", como um cubo, por exemplo. Entretanto, há clivagens que se apresentam em planos, e por definição, paralelos entre si.

Essa propriedade é medida através de dois parâmetros principais:



  1. Quantidade de direções diferentes formadas pelos planos;
  2. O ângulo formado entre essas direções.
Basicamente, no segundo parâmetro indica-se se o ângulo é diferente ou igual a 90º. Ou seja, um mineral pode ter duas direções de clivagem que formam um ângulo igual ou diferente de 90º.

Foto da Albita (2 direções de clivagem com ângulo igual a 90º).
Fonte: Por Luis Miguel Bugallo Sánchez (Lmbuga Commons)(Lmbuga Galipedia)Publicada por/Publish by: Luis Miguel Bugallo Sánchez - Trabalho próprio pelo carregador, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=355256

Por exemplo, o ortoclásio, um mineral bastante comum na crosta terrestre(sendo até mesmo considerado por alguns autores como o mais comum), apresenta uma clivagem de duas direções igual a 90º. 
Foto do Ortoclásio (2 direções de clivagem com ângulo igual de 90º).  Fonte: Sávia M. Conceição 


Já outros minerais possuem clivagem de uma direção, e neste caso, é impossível enunciar o segundo parâmetro, pois não há como formar ângulos. Um exemplo claro são as micas, com ênfase na Biotita e na Muscovita.

Esses minerais geralmente apresentam uma clivagem perfeita de ser visualizada, e apresentam-se em folhas muito finas que podem ser removidas muito facilmente.


Foto da Biotita(1 direção de clivagem).
Fonte: Por Beatrice Murch from Buenos Aires, Argentina - Biotita K2(Mg,Fe+2)6-4(Fe+3,Al,Ti)0-2[Si6-5 Al2-3O20(OH,F)4], CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=6745484


Classificação:


A clivagem pode ser classificada de duas formas: quanto a qualidade dos planos e  quanto a quantidade de planos(e o ângulo formado entre os mesmos).

Classificação quanto a qualidade: 


  • Excelente: reproduzida facilmente, podendo ser "desmontada", em muitos casos, até com a ponta dos dedos. A superfície de clivagem é extensa e lisa, produzindo alto brilho. Exemplo: Grupo das Micas.


  • Perfeita: também é reproduzida facilmente, sendo que o mineral se quebra com muita facilidade em outras direções. Os planos tendem a serem extensos e lisos. Exemplo: Calcita, Fluorita.


  • Boa: a extensão dos planos é interrompida muitas vezes por fraturas e tem o brilho pouco intenso. Exemplo: algumas amostras do Ortoclásio.


  • : estes planos não possuem pequenas extensões e é interrompida ao longo por muitas fraturas , podendo não ser vista pelo identificador. Exemplo: Berilo.


Classificação quanto à quantidade: deve-se informar o número de direções no formato "(número de direções)d", e em seguida, deve-se informar se o ângulo entre os planos é igual ou diferente de 90º.


  • Clivagem indistinta: quando não existe nenhum plano liso no mineral, em que este possui irregularidade na sua superfície.


  • 1d: apresenta apenas um plano em sua superfície em que cuja representação é parecida como curvas fechadas ou como folhas de cadernos,  podendo ser comum no Grupo das Micas. Tendo Clivagem Excelente.


  • 2d = 90°:  estes planos podem ser vistos como pequenos degraus de uma escada ou linhas paralelas em um plano.


  • 2d diferente de 90°: quando possuem a percepção que escadas de pequenos degraus estão contorcidas em uma determinada perspectiva.


  • 3d = 90°: é parecido com um cubo, assemelhando-se com uma caixa. Exemplo: Grupo da Barita.


  • 4d: esta clivagem é compostas por interseções entre linhas em que estas formam um triângulo entre si.


  • 6d: é visualizada como um dodecaedro, tornando muito difícil o avistamento desses planos. Muito incomum. Exemplo: Sodalita e Esfalerita.



Escritor por: Rafael Ladeia e Rangel Santos
Editado por: Mauricio Almeida e Rafael Ladeia




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