Bem-Vindos ao Sobre Geologia!

Este blog foi criado em 14 de agosto de 2015, com o intuito de ajudar e compartilhar assuntos e temas ligados à Geologia com alunos, professores e entusiastas desta ciência, de forma gratuita e acessível.

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Tempo Geológico - parte 1

Os cientistas dividiram a idade do nosso planeta em intervalos de tempo, chamados de Tempo Geológico. Esse intervalo vão de aproximadamente 4,5 bilhões de anos, até os dias atuais, assim, se tem varias divisões chamadas de unidades cronoestratigráficas: éons, eras, períodos, épocas e idades.

Antes de destrincharmos o tempo geológico, precisa-se compreender o significado das respectivas palavras;

-Supereon:  Existe apenas um supereon, o Pré-Cambriano. Este nome compreende o conjunto dos três éons mais antigos da história do nosso planeta (Hadeano, Arqueano e Proterozoico), intervalo que abrange nada menos que 7/8 da história da Terra.
-Éons: é a maior unidade de tempo geológico, remete a uma quantidade de tempo muito grande.
-Eras: hierarquizadamente abaixa dos éons, sendo caracterizada pelo modo como os continentes e oceanos se distribuíram, e como os seres vivos nela se encontravam.
-Períodos: é uma divisão das eras, sendo também, a unidade fundamental na escala de tempo geológico.
-Épocas: intervalos dentro de tempo dentro dos períodos.
-Idades: categoria hierarquizada mais inferior, possui duração máxima de 6 milhões de anos, podendo ser menor que 1 milhão de anos.

Assim, pode-se observar as respectivas divisões:


Escala de Tempo Geológico

Fonte: Geocultura.net
*Observação: os valores presentes na tabela é de ordem aproximada!

Observado como se configura as unidades cronoestratigráfica, será explanado os acontecimentos mais relevantes presente durante o pré-cambriano;

Para ter acesso aos principais acontecimentos do éon fanerozoico, fique atento no sobregeologia! o artigo sairá em breve!


Éon Hadeano

Fase inicial de formação da terra há 4,54 bilhões de anos, que corresponde também ao início da formação dos planetas do nosso sistema solar. Terminando em aproximadamente 3,85 bilhões de anos, que corresponde também a formação das primeiras rochas.

Éon Arqueano


O início dessa fase se deu há 3,85 bilhões de anos, no qual se têm a formação das primeiras rochas, terminando há 2.5 bilhões de anos.

O interior da Terra, no início dessa fase, era muito quente, com um fluxo de cerca três vezes maior de calor quando comparado a hoje. Porém, o Sol era 1/3 menos quente que hoje, então compensava a alta temperatura no seu interior, logo, cientistas acreditam que a temperatura na superfície era muito parecida com a que temos atualmente. Como os processos de metamorfismo acaba por apagar os registros históricos de formação das rochas, são poucas as rochas que existem hoje, formadas nesse éon, sendo as mesmas, principalmente ígneas intrusivas e metamórficas.

A vida surge no Arqueano, tendo em vista, que foi observado a presença de organismos unicelulares primitivos, que não apresentam seu material genético delimitado por um membrana, sendo as cianobácterias, que ficaram preservadas após formarem um tapete, formando assim os estrolmatólitos.  Entretanto, os eucariontes (animais em que o núcleo está rodeado por uma membrada) podem ter existido nesse período, porém não há registro dos mesmos em rochas dessa fase.

O Arqueano divide-se em quatro eras:

Eoarqueano (3,85-3,6 bilhões de anos), fase em que a Terra era bastante bombardeada por meteoritos.

- Paleoarqueano (3,6 a 3.2 bilhões de anos), quando surgiram os primeiros continentes. Mais para o final desta era, pode ter se formado um supercontinente, chamado Vaalbara. Apesar de alguns cientistas considerarem que não haviam placas tectônicas se movendo, outros consideram que sim, e que sua movimentação era intensa. Há bactérias de 3,46 bilhões de anos bem preservadas encontradas na Austrália.

- Mesoarqueano (3,2 a 2,8 bilhões de anos). No final desta era, o supercontinente Vaalbara começou a se partir. Os estromatólitos proliferavam na Terra.

- Neoarqueano (2,8 a 2,5 bilhões de anos). Era em que a tecônica de placas pode ter sido bastante similar à de hoje. Há bacias sedimentares bem preservadas e evidência de fraturas intracontinentais, colisões entre continentes e eventos orogênicos de âmbito global bem disseminados. Pode ter surgido e sido destruído um supercontinente, se não vários. A água era predominantemente líquida e havia bacias oceânicas profundas que dariam origem a formações ferríferas bandadas, depósitos de chert, sedimentos químicos e basaltos na forma de pillow lavas (lavas em forma de almofadas).

Éon Proterozoico

O proterozoico começou há 2.5 bilhões de anos e estendeu-se até 542 milhões de anos atrás. São dessa época que rochas como as que formam o Gran Canyonm no Colorado (EUA).

Fase em que o oxigênio se acumulou na litosfera, formando óxidos, principalmente de silício e ferro. As camadas de óxido de ferro formaram-se sobre tudo em torno de 2.5 a 2 milhões de anos.

Os primeiros seres eucariontes preservados surgem nessa fase.

Cerca de 900 milhões de anos atrás os continentes estavam reunidos numa única massa, chamada Rondínia, que acabou se fragmentando no final desse éon, originando os paleocontinentes Laurentia, Báltica, Sibéria e Gonduana.

O proterozoico é dividido em três eras:

- Paleoproterozoico (de 2,5 a 1,6 bilhões de anos), quando surgiram os primeiros seres eucariontes.

- Mesoproterozoico (de 1,6 a 1,0 bilhão de anos). Era em que se formou o supercontinente Rodínia e surgui a reprodução animal sexuada.

- Neoproterozoico (1,0 bilhão de anos a 542 milhões de anos). No final dessa era, termina o éon proterozoico e a longa fase da história da Terra que se chamava recentemente de Pré-Cambriano.

Dos períodos desse éon, merece destaque o mais recente, O Ediacarano, pela importância dos fósseis encontrados em rochas de Ediacara, no sul da Austrália, a chamada Biota Ediacarana. Ali, animais multicelulares marinhos, depois descobertos também em outras regiões, viveram cerca de 700 milhões de anos atrás. Aparentemente, esses animais sofreram extinção em massa ainda nesta era. O Neoproterozoico era chamado, até recentemente, de Vendiano.


Assim, se dá o fim do primeiro artigo sobre a história geológica da Terra. Continue acompanhando o sobregeologia para ter acesso ao artigo que abordará o Éon Fanerozoico, além de outros temas geológicos diversos.



Referências:

  • CPRM. Breve historia da terra. Disponível em: <http://www.cprm.gov.br/publique/redes-institucionais/rede-de-bibliotecas---rede-ametista/canal-escola/breve-historia-da-terra-1094.html>. Acesso em: 21 out. 2017.


  • MUNDO EDUCAÇÃO. Escala tempo geologico. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uou.com.br/geografia/escala-tempo-geologico.htm>. Acesso em: 21 out. 2017.


  • WIKIPEDIA. Escala de tempo geológico. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/escala_de_tempo_geol%c3%b3gico>. Acesso em: 21 out. 2017.





Artigo escrito e editado por Mauricio Almeida









Terremotos - O que são abalos sísmicos?

Em maio de 1960, o Chile foi atingido pelo maior abalo sísmico já registrado no planeta, com uma magnitude de 9,5 na escala Richter, chamado Sismo de Valdivia. No dia 7 de setembro desse ano, as regiões central e sul do México foram abaladas por um terremoto de magnitude 8,1, seguido de um segundo abalo apenas 12 dias depois, deixando mais de 470 mortos. Isso sem mencionar os que ocorrem periodicamente no Japão. Então, afinal, o que causam esses terremotos, e o que são?
No artigo de hoje, em decorrência dos últimos acontecimentos relacionados à abalos sísmicos em todo o mundo, falaremos sobre terremotos. O que são, qual sua origem, como são classificados e tratar de alguns exemplos que já ocorreram no mundo.

Ruínas deixadas pelo terremoto no Haiti em 2010. Foto: Domínio Público.

Em um artigo anterior, já explicamos o que são as placas tectônicas e como elas funcionam. Segundo a Teoria da Tectônica Global, a mais aceita e difundida hoje, a astenosfera da Terra apresenta correntes de convecção, movimentos cíclicos que ocorrem no manto terrestre e movimentam as placas tectônicas — fragmentos da litosfera, placas rígidas, que se movimentam, dando origem aos nossos continentes e oceanos.
Para um melhor entendimento, leia o nosso artigo de Tectônica Global! O vídeo abaixo faz parte de um documentário da BBC, traduzido diretamente pela nossa equipe pra o público falante de português!


Os abalos sísmicos, mais conhecidos como terremotos, são tremores de terra passageiros. Em quase sua totalidade, ocorrem em razão do contato entre essas placas, gerado por sua movimentação. Trata-se de grandes massas litosféricas, que, devido ao seu movimento constante (embora lento), geram uma compressão e energia quando se chocam.

Principais placas tectônicas e o movimento que realizam. Imagem por: Serviço Geológico dos Estados Unidos. Domínio Público.

Os terremotos causados pelo choque dos limites dessas placas são chamados de interplacas. No entanto, também existe uma porcentagem menor de terremotos intraplacas, que ocorrem dentro delas e possuem menor intensidade. Uma região localizada na região central de uma placa, como o Brasil, pode não ser atingida abalos resultantes do choque de sua respectiva placa com outras, mas pode ser submetida a sismos gerados pela acomodação de falhas antigas ou riftes abortados.
O ponto de onde surge a liberação de tensões no interior da terra é chamado hipocentro, ou foco. O ponto de projeção do foco na superfície terrestre chama-se epicentro, e é a maior preocupação de populações que vivem em áreas de risco, no limite de placas, já que o epicentro é a referência para as regiões afetadas na superfície.

Esquematização dos elementos de um abalo sísmico. Imagem retirada de: http://rusoares65.pbworks.com/w/page/47847335/Risco%20s%C3%ADsmico%202011


Um terremoto gera ondas sísmicas a partir de seu hipocentro, que se propagam em todas as direções. Elas possuem comportamentos diferentes em cada tipo de rocha, podendo se movimentar mais rápido em rochas mais densas. Devido a essas ondas, um terremoto grande costuma vir acompanhado de diversos outros abalos em áreas próximas. Dessa modo, os sismógrafos, aparelhos que medem a movimentação do solo, podem indicar a região provável de um epicentro a ser gerado.


Intensidade de Terremotos

A medida de intensidade relativa de terremotos chama-se magnitude. A forma encontrada para medir o "tamanho" desses abalos foi através da Escala Ricther, criada em 1935, pelo sismólogo americano Charles Francis Richter, junto a Beno Gutenberg. A escala foi desenvolvida a partir da análise das ondas sísmicas, liberadas pelo hipocentro dos abalos, e coleta de dados de diversos outros terremotos anteriores.
Ela funciona numa escala logarítmica de base dez e é crescente, começando no zero. Isso significa que um abalo de magnitude 1 é menor que um de grau 2, e um terremoto de magnitude 8 é dez vezes mais intenso que um de magnitude 7. Teoricamente, a escala é infinita, mas nunca foi identificado um abalo mais intenso ou superior a 10 graus, e não se acredita que isso seria possível. A escala representa a energia liberada durante um terremoto, portanto a ciência não acredita que seria possível um abalo liberar tanta energia..

Imagem da escala com identificação das características gerais de cada magnitude. Imagem retirada de: https://goo.gl/UKajHQ

O poder de destruição de um terremoto não está relacionado somente com sua magnitude na Escala Richter, no entanto. A profundidade do foco, se existem edificações ou população na região próxima ao epicentro, o terreno e etc., tudo isso deve ser observado além do grau na escala.
Por essa razão, existe a chamada Escala Mercalli. Criada em 1902, por Giuseppe Mercalli, um sismólogo italiano, ela é a única que representa os efeitos das atividades sísmicas, principalmente em áreas urbanas.
Ela leva em consideração os danos que esse terremoto produziu, tanto em imóveis e construções quanto à vida humana, sendo assim muito relevante em áreas habitadas por grande população. Contudo, apesar de seu valor qualitativo, ela não pode ser dada como verdade absoluta, já que os efeitos vão variar de acordo com os observadores. Um terremoto pode chegar num alto grau na Escala Richter, devido à sua energia liberada, mas alcançar um grau baixo na Escala Mercalli se ocorrer uma área pouco habitada, como um deserto.

Terremotos Mais Marcantes

Em janeiro de 2010, o Haiti foi abalado com um terremoto de magnitude 7MW na Escala Richter, com seu epicentro a cerca de 25km da capital do país, na penísula de Tiburon, com o foco a uma profundidade de apenas 10km. Hoje, sete anos depois, o país ainda tenta se reconstruir dessa tragédia que deixou entre 200 e 300 mil mortos e diversos feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou mais 33 tremores secundários, além do principal.
Esse abalo representa um alto grau na escala Mercalli, pois a região e a população foram gravemente afetadas. A capital, uma das áreas mais afetadas, é uma das mais densamente habitadas no país. Os efeitos do terremoto podem ser observados até os dias de hoje, e a USGS acredita que cerca de 3 milhões de pessoas tenham sido atingidas.
O terremoto foi causado pelo choque das placas do Caribe e Norte-Americana, onde o Haiti se localiza muito próximo ao limite. A ilha não tinha sofrido de um terremoto assim há mais de um século.

Image: USGS Rapid Response to Haiti
Varanda de hotel desaba sobre veículos, destruído pelo terremoto de magnitude 7MW em 12 de Janeiro de 2010. Foto por: Walter Mooney, Serviço Geológico dos Estados Unidos. Domínio Público.

O abalo com maior magnitude registrada no mundo, como mencionamos no início do artigo, foi o Sismo de Valdívia, no Chile. O terremoto registrou 9,5MW na Escala Richter, e ocorreu em maio de 1960, 57 anos atrás. O sismo foi tão poderoso que foi sentido nas regiões do Havaí, Filipinas e Japão, e gerou tsunamis que geraram vítimas nesses respectivos países.
O epicentro do terremoto foi próximo à Lumaco, 570km ao sul de Santiago, e com o foco a uma profundidade de 33km. Além do alto grau na escala Richter, o terremoto também alcançou grau XII na Mercalli, significando, segundo Assunção e Dias Neto, 2000, destruição quase total da paisagem.

Casas destruídas em razão do Sismo de Valdívia, em 22 de Maio de 1960. Imagem por: Pierre St. Amand.
Um outro caso de terremoto muito lembrado são os que ocorrem na região do Japão recorrentemente, ao ponto do governo japonês já ter dezenas de mecanismos de evacuação, identificação e alerta. Esses abalos na região ocorrem devido ao arquipélago do Japão estar localizado numa zona de convergência de placas tectônicas.
O país se localiza no chamado Círculo de Fogo do Oceano Pacífico, região de grande atividade sísmica, numa zona de convergência entre as placas do Pacífico, Euroasiática Oriental e das Filipinas. Por essa razão, essa área é muito suscetível a terremotos e tsunamis gerados pela movimentação dessas placas.

Resultado de imagem para mapa do japão placas tectonicas
Mapa do Japão com epicentro de terremoto ocorrido ainda esse ano e limite das placas tectônicas. Fonte na imagem.

Conclusão

Esse artigo foi escrito em razão dos últimos terremotos que abalaram a região do México no mês de setembro, atingindo cerca de 18 cidades mexicanas. Muitas pessoas temem os efeitos desses abalos, mas não entendem qual sua origem ou como sua intensidade é medida, e por isso trouxemos essas informações.
As fotos foram selecionadas para evitar imagens de pessoas em situações desagradáveis em razão dos efeitos dos terremotos, pois a nossa intenção não é aterrorizar ou usar do sensacionalismo. Terremotos são desastres naturais extremamente perigosos, que podem ser previstos e remediados, mas não evitados. Buscamos apenas trazer conhecimento acerca do assunto, e deixamos nosso artigo em respeito às vítimas desses abalos sísmicos.


Referências

https://exame.abril.com.br/mundo/terremoto-de-magnitude-55-graus-sacode-sul-do-mexico/
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Terremotos-1052.html
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/escala-richter.htm
http://meioambiente.culturamix.com/natureza/o-que-e-escala-richter
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_do_Haiti_de_2010
https://www.usgs.gov/media/audio/magnitude-70-earthquake-strikes-haiti

Artigo escrito e editado por Isabela Rosario

#Petrologia - Rochas Sedimentares II


Dando continuidade ao artigo anterior no qual foram abordados assuntos referentes à classificação dos materiais que formam as rochas sedimentares e alguns parâmetros utilizados na sedimentologia, agora serão abordados a Litificação, os processos diagenéticos e uma representação genérica de uma rocha sedimentar.

Dando continuidade a esta breve introdução sobre
as rochas sedimentares. 

É de suma importância para o entendimento deste artigo a leitura prévia do seu complementar: #Petrologia - Rochas Sedimentares I.

Diagênese e Litificação


Antes de prosseguir com o tópico proposto, é importante discernir o significado desses dois termos: Diagênese e Litificação. Muitos estudantes costumam confundir esses processos e acabam fazendo o uso incorreto de tais palavras. 
Diagênese e Litificação são processos diferentes, porém estão interligados, podendo o primeiro resultar no segundo, mas não necessariamente. A Diagênese na verdade é um termo abrangente utilizado para fazer referência ao conjunto de processos(denominados por diagenéticos) que ocorrem em um depósito sedimentar, devido as mudanças de condições físico-químicas do ambiente em questão, resultando em modificações do produto inicial. 
Já a Litificação, ou Petrificação, pode ser entendida como a transformação de material friável, inconsolidado, em um material rochoso, e pode ocorrer como resultado da diagênese.

Após a diagênese e litificação, o material anteriormente
inconsolidado se torna uma rocha coesa.

Processos Diagenéticos


Qualquer rocha, seja ela magmática, metamórfica ou sedimentar, está sujeita à diferentes processos de intemperismo que irão originar diversos tipos de sedimentos, como visto no artigo anterior. Relembrando, intemperismo é o conjunto de transformações de origem física (desagregação) ou química (decomposição), atuantes nas rochas. 
Uma vez desagregado, os materiais inconsolidados de uma rocha matriz serão transportados pelos agentes erosivos e posteriormente depositados em regiões de menor altitude. Ao serem depositados, estes materiais formam um depósito sedimentar, que por meio da alteração das condições físico-químicas do ambiente, irão responder de formas distintas a tais mudanças. Essas alterações são denominadas por Processos Diagenéticos, que incluem a Compactação, Dissolução, Cimentação e Recristalização Diagenética. 

  • Compactação: A compactação diagenética pode apresentar-se sob dois aspectos: o químico e o mecânico. A compactação química engloba a dissolução de minerais sob pressão. Já a compactação mecânica não engloba processos químicos, mas sim aspectos físicos, como mudança no empacotamento intergranular e a deformação ou quebra de grãos individuais, como mostra a imagem 1(BRAZ, Fábio).

Imagem 1. Desenho esquemático de algumas mudanças introduzidas,
em escala de grãos, por efeito de compactação mecânica: fechamento
do empacotamento, deformação de grãos e quebra de ooides.
Fonte: Decifrando a Terra 2ª Ed.
Imagem 2. Representação esquemática da evolução
dos tipos de contato entre grãos terrígenos,
durante a diagênese. Fonte: Decifrando a Terra 2ª Ed.
  • Dissolução: A dissolução diagenética tem como fator principal o efeito ou não de pressão. Se houver ausência de pressão, ocorre somente a percolação de fluidos no material depositado, podendo ocorrer reações químicas entre a solução e os minerais depositados. Quando ocorre dissolução sob pressão, também chamada de compactação química, podem ocorrer vários tipos de feições, as quais dependem da escala do material analisado. Em escala granulométrica, conforme aumenta o grau de soterramento, os grãos passam a ter contatos pontuais(Imagem 2), planares, côncavo-convexos e suturados. A geração de poros ocorre devido à dissolução e fragmentação dos agregados sedimentares durante a diagênese, constituindo uma feição muito importante para o acúmulo de óleo e gás(BRAZ, Fábio).

  • Cimentação: Trata-se da cristalização de minerais formados a partir dos íons dissolvidos na solução intersticial(poros). Ocorre em conjunto com a dissolução diagenética. Os tipos mais comuns de cimentos em rochas sedimentares são os compostos por minerais como quartzo, calcita, pirita e argilominerais(BRAZ, Fábio).

Imagem 3. Atuação do cimento na diagênese. Fonte: http://gracieteoliveira.pbworks.com/w/page/51032777/Gloss%C3%A1rio
  • Recristalização Diagenética: Neste processo, sob condições de soterramento, ocorrem mudanças na mineralogia e na textura cristalina do material sedimentar. Dois exemplos são comuns (figura ao lado, de Giannini, 2000). O primeiro é a transformação de aragonita em calcita, ambos compostos por carbonato de cálcio, porém de estruturas cristalinas distintas. Neste caso, também chamado de neomorfismo, há mudanças apenas no retículo cristalino, sendo mantida a composição original. O segundo é a mudança na composição química, denominada substituição, na qual ocorre a troca da calcita ou aragonita por sílica.

Imagem 4. Representação esquemática de dois tipos possíveis de recristalização
diagenética de carapaças carbonáticas de pelecípodo: neomorfismo e substituição.
Fonte: Simplificado de T. P. Scoffin, 1987.

Vale ressaltar que, diferentemente dos processos metamórficos, os processos diagenéticos ocorrem exclusivamente com materiais sedimentares e em dissoluções e re-precipitações a partir das soluções aquosas existentes nos poros.
 

Componentes de uma Rocha Sedimentar


Uma rocha sedimentar pode ser descrita de forma genérica como uma rocha composta por três componentes principais, tais quais:
  • Matriz: a parte de menor tamanho (granulometria) da rocha, reponsável por sustentar sua estrutura.
  • Arcabouço: os clastos (grãos) que constituem a rocha.
  • Cimento: parte responsável por unir os outros componentes.
A imagem abaixo ilustra a relação dentre esses componentes.

Arranjo estrutural genérico de uma rocha sedimentar.
Fonte: Decifrando a Terra 2ª Ed.

Vale ressaltar que esse esquema é algo genérico, e que, portanto, não se aplica a todos os tipos de rochas sedimentares. No próximo artigo, trataremos sobre os tipos de rochas sedimentares e suas classificações.

Referências:

  • http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/sedimentares.html. Acessado em 08/10/2017.
  • TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T.R.; TOLEDO, M.C.; TAIOLI, F. Decifrando a Terra 2ª Ed. Capítulo 9.
Produzido por Rafael Ladeia.