Sobre Geologia

01/01/2022

Bem Vindos ao Sobre Geologia!
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Este blog foi criado em 14 de agosto de 2015, com o intuito de ajudar e compartilhar assuntos e temas ligados à Geologia com alunos, professores e entusiastas desta ciência, de forma gratuita e acessível.


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29/07/2018

Depósitos de Zinco e Chumbo
20:270 Comments
Os depósitos de zinco e chumbo estão presentes por todo o globo, seus casos mais famosos são o do vale do Mississippi e os Irlandeses. Por isso, esse tipo de depósito também é conhecido como "Mississippi ValleyType" e "Irish-Type". Esses minérios são muito importantes para a humanidade hoje, por isso é muito importante estudar onde eles podem ser encontrados na natureza e como esses depósitos se formam. O artigo de hoje tem como tema os depósitos hidrotermais que os produzem, seguindo um padrão que se repete em diferentes partes do mundo.
Depósito de zinco e chumbo em "Mississippi Valley". Imagem modificada, fonte na imagem.


Introdução

As principais características desse tipo de depósito é que eles são disseminados, ou seja, os veios que os abrigam estão espalhados em um volume de rocha muito maior do que o volume de minério. As rochas hospedeiras costumam ser rochas sedimentares carbonáticas (como, por exemplo, os calcários) que se encontram nas bordas de bacias sedimentares, em volta de antigas ilhas e em pontos altos do fundo do mar, onde o calcário foi depositado. Ele é um depósito hidrotermal, o que significa que um fluido quente percola as fraturas, cristalizando o minério como sulfetos.

Vale do Mississipi
Localização do vale do Mississipi nos Estados Unidos. Fonte: http://www.mvd.usace.army.mil/About/Mississippi-River-Commission-MRC/


O vale do Mississipi é o mais citado quando se fala nesse tipo de depósito, ele também é exemplo da forma ideal dele. Ele se estende do sul do estado de Wisconsin até o Kansas e Oklahoma em uma grande bacia sedimentar. Esse depósito foi formado nos éons proterozoico e fanerozoico (para entender melhor sobre a escala do tempo geológico clique aqui).
O minério se encontra exclusivamente no calcário, que está nas bordas da bacia. Esse depósito, diferente do que muitos pensam, não está diretamente relacionado à uma grande intrusão ígnea que originou o fluido. O que se acredita hoje é que o hidrotermalismo foi feito por água subterrânea de um aquífero poroso (clique aqui para ler mais sobre aquíferos), que se infiltrou em altas profundidades, extraindo constituintes solúveis dos minérios.
Essas soluções hidrotermais podem percorrer quilômetros enquanto se apropriam dos metais, até que encontrem situações favoráveis à cristalização. Para que possam se hospedar em alguma rocha, os fluidos se movem para cima, interagindo com o arenito e conglomerado que se encontram abaixo do calcário e se cristalizam como minério, preenchendo as cavidades da rocha carbonática.
Na maioria dos casos, o fluido quente é responsável pela dissolução dos carbonatos (que são conhecidos por sua pouca resistência à fluidos e altas temperaturas), criando fraturas na rocha e preenchendo-as com sulfetos de Pb e Zn.
O depósito também pode ser classificado como estratiforme, o que significa que ele se dispõe em camadas, sempre muito parecidas com os padrões de uma rocha sedimentar. Os principais minerais onde o zinco e o chumbo são encontrados são, respectivamente, esfalerita (ZnS) e galena (PbS).
Principais minerais para a extração do minério. Fonte: mindat.org


Brasil
No Brasil, a exploração desse tipo de depósito é menos expressiva, já que, muitas vezes, são encontradas dezenas à centenas de corpos mineralizados, mas os teores de chumbo e zinco não passam de 10-12%. Inclusive, as quantidades de Zn são geralmente maiores do que as de Pb.
Alguns dos depósitos desse tipo localizados no país são: Morro Agudo - MG; Faixa Itaiacoca - PR/SP; Alvo Morro do Chumbo, Nova Redenção - BA.

Importância dos metais

O chumbo é utilizado na fabricação de lâminas e canos de alta flexibilidade e resistência, em ligas metálicas, revestimento de cabos, tintas e pigmentos, aditivos plásticos, em placas protetoras contra radiações ionizantes, em soldas e revestimentos na indústria automotiva. Ele tem inúmeras utilidades devido a suas características de: boa maleabilidade, baixo ponto de fusão, resistência a corrosão, alta densidade, estabilidade química ao ambiente, opacidade aos raios X e gama.
Já o zinco, é principalmente utilizado para a formação de ligas, como, por exemplo, bronze e latão (ambos com o cobre), a galvanização de estruturas de aço e um aditivo de borrachas e tintas.

Conclusão

Zinco e Chumbo são metais de extrema importância, e o principal tipo de depósito onde eles são encontrados segue um padrão observado em todo o mundo. Por isso, é preciso estudar o vale do Mississipi e seus depósitos de hidrotermalismo.

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Referências:
https://www.britannica.com/science/mineral-deposit/Mississippi-Valley-type#ref624281
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/estratiforme.htm
https://revistas.ufpr.br/geociencias/article/download/4144/3343
repositorio.unb.br/.../Dissertação%20Luiz%20Paniago%20%20Neves%20n%20280.pdf
https://www.revistas.usp.br/bigsc/article/view/45070
http://www.twiki.ufba.br/twiki/pub/IGeo/GeolMono20122/TFG_Leidiane_2013.pdf
https://www.crq4.org.br/a_importancia_do_chumbo_na_historia
https://www.passeidireto.com/arquivo/43288603/quimica-inorganica
PRESS, Frank; SIEVER, Raymond; GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas H.Para Entender a Terra.4aedição. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Artigo escrito por Isabel Schulz e revisado por Isabela Rosario

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08/07/2018

#Climas: Introdução à Climatologia
22:270 Comments

A diversas paisagens que são observadas mundo afora são produtos das interações entre o sistema de tectônica de placas – que atua na construção do relevo – e do sistema de climas, que contribuem para o seu desgaste. No post de hoje, conheceremos mais sobre a Climatologia, fatores e elementos do clima e a importância de sua compreensão! 

Domínio de mares de morros, que abrange Ouro Preto e outros munícipios de Minas Gerais. Esse domínio é característico de áreas de climas quentes e úmidos. Fonte: http://www.amda.org.br/?string=interna-projetos&cod=13

Introdução

A climatologia é o estudo científico dos climas, que abrangem grandes extensões, por um longo período de tempo. Apesar de geralmente os conceitos de tempo e clima serem abordados como análogos, existe um fator que os distingue: a escala de tempo cronológico. Enquanto o tempo meteorológico se refere às condições atmosféricas em um dado instante e local, entende-se por clima como uma média das variações do tempo meteorológico por um período de 30-35 anos. 
Na Climatologia, frequentemente são usados elementos e fatores do clima para descrever o ambiente atmosférico. Os principais elementos que constituem os fatores climáticos são: temperatura, umidade, pressão atmosférica e radiação solar.
A temperatura é a intensidade do calor atmosférico em um determinado lugar, que pode ser mensurado através das escalas Fahrenheit (°F) ou Celsius (°C).
A umidade – geralmente expressa em porcentagem – é quantidade de vapor d’água existente na atmosfera e é proveniente dos processos de evapotranspiração das plantas (transferência de vapor d’água das plantas e do solo para a atmosfera).  
Já a força exercida pelo ar sobre uma superfície, definida como pressão atmosférica é expressa, geralmente, em milibares (mb). A pressão varia de acordo com a altitude, a temperatura e a latitude. Em locais mais altos, a pressão atmosférica é menor, pois quanto mais distante do centro da Terra (influência maior da força da gravidade) um ponto é, menor será a força exercida e, consequentemente, menor será a pressão que a atmosfera exercerá sobre ele.  

Monte Everest, situado na fronteira Nepal-Tibete. A pressão atmosférica na altitude de 8,85km corresponde a 250mmHg, enquanto ao nível do mar, a pressão atmosférica é de 760mmHg. Informações: Blamb / Shutterstock

A temperatura e a latitude também interferem na pressão atmosférica: quanto maior a temperatura, menor é a densidade do ar e, portanto, menor será a pressão. Em contrapartida, quanto menor for a temperatura, mais unidas estarão as partículas, aumentando sua densidade e, assim, a pressão aumentará. Em relação à latitude, a pressão atmosférica se comporta de maneira diretamente proporcional: locais de alta latitude apresentarão uma maior pressão atmosférica e locais de menor latitude, menor pressão atmosférica.  
Radiação solar é a forma pela qual a energia solar chega até a superfície terrestre. Nesse processo, cerca de 70% da energia solar é absorvida e 30% escapa no espaço exterior. A radiação infravermelha que chega à Terra é de suma importância pois é ela que irá gerar a elevação das temperaturas.
Os fatores climáticos são latitude, altitude, vegetação, maritimidade e continentalidade, correntes marítimas, correntes de ar e relevo. Estes, interferem nos elementos climáticos e nos climas.


Dinâmica das massas de ar atuantes na América do Sul durante o inverno. Fonte: marcosbau.com.br/geobrasil-2/climas-do-brasil/

Climatologia Brasileira 
A maior parte do território brasileiro (cerca de 90%) está localizado entre os trópicos de Câncer e Capricórnio e, por isso, ele é considerado um país tropical. A grande extensão territorial do país contribui para uma multiplicidade de tipos climáticos e, por sua vez, de paisagens naturais. 
Diversidade de climas no Brasil. Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1257
Os estudos acerca da climatologia tropical eram baseados nas perspectivas do conhecimento climático dos países de latitude média até por volta dos anos de 1970. Após a independência (1822), o Brasil obteve maior representatividade no cenário econômico mundial e apresentou um acervo considerável de documentos relacionados à caracterização dos seus climas e da atmosfera. Esses documentos são recentes, levando em consideração que os trabalhos mais aprofundados coincidem com a explosão da cafeicultura, que datam dos primórdios do século XX. Esses estudos contribuíram significativamente para estruturar os dados meteorológicos, com foco para a porção centro-sul do país. Nessa época, foram criados o Departamento Nacional de Meteorologia (DNMET), atual Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1940, a climatologia brasileira foi impulsionada e, na década seguinte, os estudos climáticos começaram a ser deslocados para as regiões Nordeste e Centro-Oeste. A partir de 1960 e 1970, os trabalhos climatológicos foram dirigidos nas perspectivas regionais e locais, além da preocupação com a questão ambiental. A evolução tecnológica no campo da climatologia permitiu grandes avanços nos últimos 20 anos, no entanto, ainda são poucas as áreas detalhadamente investigadas do Nordeste, Norte e Centro-Oeste do país.
Clima X Geologia                                                                           
A compreensão dos diversos tipos de clima é fundamental para o entendimento das interações entre os climas e os processos geológicos, como a tectônica de placas, formação de montanhas e erosão. As diferenças climáticas globais também estão associadas aos tipos de intemperismo: em locais onde predominam climas úmidos, com altas taxas de pluviosidade, o intemperismo químico será sobressalente; enquanto onde predominam climas secos, o intemperismo físico será preeminente.
É importante ressaltar que os processos geológicos também podem alterar os climas, como acontece no caso dos processos de vulcanismos que liberam gases, como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2). Depois da erupção, o SO2 reage com o vapor d’água na atmosfera para formar aerossóis (pequenas gotículas suspensas no ar e de alta mobilidade) de ácido sulfúrico. Uma camada de aerossóis pode atuar como um “efeito estufa”, impedindo que parte da radiação térmica escape, causando um aquecimento da superfície. Ademais, o impacto climático gerado por uma erupção depende também da altitude a que os voláteis serão ejetados e da latitude do vulcão.
Erupção em El Chicón, México, 1982. 7,5.1011kg de material foi ejetado. A temperatura no Hemisfério Norte foi alterada em -0,2ºC. Imagem: Robert I. Tilling (http://www.geotimes.org/nov07/article.html?id=feature_danger.html)
Conclusão
É fundamental compreender as dinâmicas locais e globais do clima, pois a Climatologia auxilia no entendimento de diversos processos físicos, químicos, biológicos e geológicos que interagem na grandiosidade do sistema Terra-vida. Ademais, do ponto de vista socioambiental, é de extrema importância compreender o que gera as mudanças climáticas para a vida na Terra e investigar suas consequências. 

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Artigo escrito por Amanda Couto e revisado por Carlos Eduardo
Referências
MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina dos Textos, 2007. 206 p.
CHARLES, Cockell et al. (Org.). Sistema terra-vida: uma introdução. São Paulo: Oficina dos Textos, 2011. 344 p.
https://www.ige.unicamp.br/terrae/V12/PDFv11/T056-1.pdf acesso em 07/07/2018
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Elementos-Que-Caracterizam-o-Clima-1267.html acesso em 07/07/2018
http://www2.icnf.pt/portal/ap/pnpg/geo acesso em 07/07/2018
http://climasdomundo.blogspot.com/2009/08/elementos-do-clima-sao-os-atributos.html acesso em 07/07/2018
http://www.professormendoncauenf.com.br/ag_elementosmeteorologicoseclimaticos.pdf acesso em 07/07/2018
http://www.mundogeomatica.com.br/cl/apostilateoricacl/capitulo8-eaporacaoevapotranspiracao.pdf acesso em 07/07/2018
https://novaescola.org.br/conteudo/2206/por-que-a-pressao-atmosferica-muda-com-a-altitude  acesso em 07/07/2018
https://geografalando.blogspot.com/2012/11/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html acesso em 08/07/2018
https://novaescola.org.br/conteudo/2206/por-que-a-pressao-atmosferica-muda-com-a-altitude acesso em 08/07/2018


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25/06/2018

Geologia Marinha - Uma breve introdução
19:450 Comments
Ainda que aproximadamente 70% da superfície terrestre seja recoberta por água, pouco se sabe sobre os oceanos. Fora as grandes profundidades inexploradas e a flora e fauna ainda por serem descobertas, não é apenas isso que guardam nossos oceanos. Desse modo, com uma união entre os estudos da geologia e das nossas áreas oceânicas, costeiras e marinhas, temos o que é chamada de Geologia Marinha — a especialidade geológica sobre a qual falaremos hoje!

Uma fotografia do complexo ecossistema marinho e sua paisagem. Foto por: Christopher Robinson.

Introdução

A Geologia Marinha é uma ramificação da geologia, desenvolvida para focar seus estudos em fundos oceânicos e marinhos, zonas costeiras, e mesmo alguns lagos e estuários. Através dos conhecimentos da oceanografia, geologia e, em alguns casos, da biologia, foi possível edificar uma ciência e desenvolver estudos que traziam descobertas à respeito da própria mecânica da Terra.
Mesmo os geólogos mais antigos se perguntavam qual seria a aparência dos fundos oceânicos caso não houvesse água os recobrindo. Segundo o Serviço Geológico do Estados Unidos (USGS), geólogos no início do século XIX, por exemplo, acreditavam que, no fundo dos oceanos, se encontraria apenas uma camada plana de lama — algo que, hoje sabemos, não é verdade.
Durante a Segunda Guerra Mundial, houve um desenvolvimento muito maior dos estudos dos relevos oceânicos. Foram projetadas tecnologias muito mais avançadas, que tinha intenção de identificar mais facilmente submarinos nos fundos dos oceanos.
As crostas oceânicas costumam ter menores espessuras que as crostas continentais, numa faixa de 5 a 10km. Sua composição é formada principalmente de rochas basálticas e gabroicas, ricas em cálcio e ferro, e silicatos magnesianos. Devido à sua composição rica em ferro, essas crostas são mais densas que crostas continentais — por isso, em zonas de colisão entre elas, as oceânicas passam pelo processo de subducção, dando continuidade aos processos de tectonismo.

A Importância de Geologia Marinha

Como mostramos no artigo "A Teoria da Tectônica Global", as placas oceânicas são uma parte muito importante dos processos ocorridos a todo momento na tectônica global, sendo constantemente destruídas e reconstruídas, de acordo com os movimentos divergentes e convergentes das placas.
Os estudos nos fundos dos oceanos foram de uma contribuição essencial para a fundamentação da Teoria da Tectônica Global. No fim dos anos 1940 e início da década seguinte, expedições comandadas principalmente por pesquisadores das universidades de Princeton e Columbia (EUA) mapearam e coletaram amostras do fundo do oceano Atlântico. Esses trabalhos permitiram mapear as Cadeias Meso-Oceânicas, um sistema que chegava a alcançar 84.000 km e apresentando uma largura na escala de 1.000 km. Além disso, nessa dorsal, se encontrou a presença de vales num intervalo de 1 a 3km, apontando à presença de rifte — assim, um regime tensional. Também se constatou temperaturas maiores nas rochas da dorsal meso-oceânica que no resto das placas oceânicas, sendo uma região de forte atividade vulcânica e sísmica. Se a dorsal, de fato, dividisse a crosta oceânica em duas, seria um ponto forte à favor da teoria da deriva continental.
À partir da década de 1950 e 1960, com o desenvolvimento tecnológico e da geocronologia, foi possível provar que a teoria de que as rochas do fundo oceânico são as mais antigas da Terra estavam erradas. Na verdade, costumavam apresentar idade bem mais jovens, não ultrapassando 200 milhões de anos. Desse modo, mais uma vez, os estudos da geologia dos oceanos ajudavam a desenvolver as teorias mais básicas da nossa ciência.


Distribuição das idades geocronológicas em milhões de anos, mostrando as rochas mais jovens estando mais próximas à dorsal meso-oceânica do Atlântico Norte. Fonte: Decifrando a Terra.
Além disso, esses estudos são, há décadas, muito relevantes, para a extração e beneficiamento de recursos minerais, conhecimentos sobre seu próprio domínio territorial, expansão marítima e até mesmo para  a biologia — pois o ambiente é um fator indispensável para a análise de uma espécie.

Relevo Oceânico

A morfologia das crostas oceânicas é uma importante base de estudos da geologia marinha e oceanografia. A posição da área de estudos influencia diretamente no tipo de rochas encontradas, entre outras informações que podem ser importantes para a exploração de petróleo, por exemplo, quando falamos das bacias oceânicas.
Fonte: Tom Garrisson (2010).
Podemos dividir o relevo oceânico em algumas categorias:

As plataformas continentais correspondem às porções do fundo oceânico que margeiam os continentes, começando na linha da costa e se estendendo até, aproximadamente, 200m. Costumam ser bem planas, com baixa declividade — por isso "plataformas" continentais —, e possuem larguras variáveis. Segundo o Serviço Geológico Nacional do Brasil (CPRM), essas larguras podem variar de 70 a 80km, podendo alcançar até centenas de quilômetros. Por exemplo, as plataformas de oceanos como o atlântico, onde as margens são passivas, essas larguras costumam ser maiores.
Essas plataformas costumam ser de extrema importância para a exploração de recursos minerais, pois acumulam sedimentos carregados pelo vento, rios e até mesmo geleiras, em alguns casos. No Brasil, por exemplo, são muito importantes para a extração de petróleo e para o ecossistema do mar, pois, nessas regiões, os raios solares atingem todo o fundo marinho, promovendo luz para a fotossíntese de plantas e outros microorganismos.

Os processos de transporte e deposição de sedimentos no meio marinho. Fonte: Decifrando a Terra (2009)


O talude continental, ou vertente continental, é região com inclinação mais acentuada do relevo continental — segundo a CPRM, aproximadamente 1m de declive para cada 40m de extensão —, e se estende até as chamadas planícies abissais. Pode ser considerada uma faixa de transição, e não possui um relevo regular, podendo apresentar vales e até mesmo cânions.
Devido à sua alta declividade, apresentam o que chamamos de correntes de turbidez, uma corrente densa de sedimentos variados que pode ser comparada à uma avalanche debaixo d'água. A constante deposição no lado da plataforma, associada à erosão com os vales, cânions e inclinação do talude acabam por gerar uma instabilidade, que faz com que pacotes inteiros de sedimentos deslizem ou desabem em rolamento. Essas correntes dão origem a novas rochas muito características, os turbiditos. Dependendo da forma como o pacote de sedimentos desceu o talude, é possível observar uma sequência de deposição de sedimentos finos a médios (geralmente areias e argilas), com estratificação rítmica.

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Turbiditos.  Foto por: Brian Romans.

Na base dos taludes, encontramos os sopés continentais — elevações de declinação intermediária entre a da plataforma continental e a do talude. Elas se estendem entre 3000 e 5000m de profundidade, e a maior parte dos sedimentos que a compõem são de origem continental. Essa associação de plataforma, talude e sopé são chamados de margem continental, embora sua maior parte esteja submersa.
Já a região mais distante do continente é a chamada planície abissal. Essas áreas são extensas e profundas, de topografia aproximadamente plana, geralmente com mais de 4000m de profundidade. Elas começam no fim da elevação continental, e se estendem até os relevos íngremes das cordilheiras oceânicas. Os raios solares não alcançam o fundo das planícies, por isso, as temperaturas são muito baixas e as formas de vida são adaptadas à falta de luz. Essas regiões são interrompidas em algumas localidades por séries de montes e montanhas submarinas — elevações isoladas que podem alcançar até 1000m de altura.
Além disso, temos as chamadas fossas oceânicas — uma importante feição presente nas zonas de subducção das placas. As fossas constituem depressões alongadas e estreitas, com laterais de alta declividade. Atualmente, a fossa mais profunda já registrada é a Fossa das Marianas, descoberta em 1960, com 10920m de profundidade — ou seja, tem mais metros em profundidade do que o Monte Everest, maior montanha do mundo, tem em metros de altura (aproximadamente 8850 metros).
Observa-se também, no limite das planícies abissais, as cordilheiras oceânicas. São feições longas, fraturadas, escarpadas e construídas pelos processos vulcânicos e tectônicos de movimentação das placas. As regiões centrais dessas cordilheiras correspondem às regiões de maior atividade tectônica dos fundos oceânicos atuais, com fraturamentos e intrusão de diques de basalto, além de atividades hidrotermais. As partes emersas dessas montanhas são também chamadas de ilhas oceânicas, como o arquipélago de Fernando de Noronha, por exemplo.

Vista aérea da ilha Trindade (foto: Simone Marinho/commons.wikimedia.org)
Ilha da Trindade — ilha localizada no Oceano Atlântico, considerada parte do território brasileiro. Hoje, é utilizada como base militar da marinha. Foto: Simone Marinho/commons.wikimedia.org

Baía dos Porcos, em Fernando de Noronha, Pernambuco
Baía dos Porcos, no arquipélago Fernando de Noronha - Pernambuco. Foto por: Alex Uchoa

Conclusão

Os estudos da geologia marinha, embora tendo começado a menos de um século, têm sido extremamente relevantes para a nossa sociedade. Tendo avançado de conhecimentos de guerra para embasamento científico para extração de petróleo, por exemplo, esse ramo da geologia se edificou no campo da ciência e nos trouxe mais conhecimento sobre a Terra e seu funcionamento como um todo. O ser humano começou sua jornada pelo espaço, mas, infelizmente, ainda sabemos muito pouco sobre nossos próprios oceanos — e, talvez, através da geologia marinha e dos avanços tecnológicos, isso possa mudar!



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Referências

https://www.usgs.gov/faqs/what-marine-geology-0?qt-news_science_products=0#qt-news_science_products
https://walrus.wr.usgs.gov/pubinfo/margeol.html
TEIXEIRA, Wilson. FAIRCHILD, Thomas Rich. TOLEDO, M. Cristina Motta de. TAIOLI, Fabio. Decifrando a Terra - 2a edição. Companhia Editora Nacional. São Paulo. 2009
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Estrutura-Interna-da-Terra-1266.html
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Relevo-Oceanico-2624.html
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/corrente_de_turbidez.htm
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/turbidito.htm
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/planicie_abissal.htm
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/relevo-submarino-plataforma-talude-e-outras-unidades.htm


Artigo escrito por Isabela Rosario
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