Sobre Geologia

01/01/2022

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19/08/2018

A Estratigrafia
20:080 Comments

A Estratigrafia

A estratigrafia é a ciência do ramo da geologia responsável por estudar as estruturas, a composição química e mineralógica dos estratos, ou camadas, de rochas sedimentares com o intuito de determinar os eventos que sucederam sua formação possibilitando assim a interpretação da história geológica. Entre as informações obtidas a partir da descrição e análise das rochas estratificadas estão: o seu ambiente de formação, dados de clima da região em determinado tempo geológico, a datação de rochas e consequentemente a idade de um fóssil.

 
Foto1: The Wave, Arizona, EUA.
Fonte: The Wow Style

É atribuído a Nicolaus Steno (1638-1686) o título de pai da estratigrafia, pois seu pensamento mudou a percepção das pessoas com relação aos fósseis no fim do século XVIII, sendo essencial para o desenvolvimento das geociências. Ele descreveu e  catalogou centenas de fósseis comparando-os com seus respectivos correspondentes modernos, com esses estudos a Paleontologia foi ganhando espaço ao lado da Geologia. Em 1669 publica pródomo de sua dissertação “De solido intra solidum naturaliter contento dissertationis prodromus” (Um Sólido Natural Contido em Outro Sólido), tal obra contém três dos principais princípios estratigráficos: Princípio da Superposição de camadas, Princípio da  Horizontalidade Original, Princípio da Continuidade Lateral.


Imagem 1: Pródomo de Steno
Fonte: Ese punto azul pálido

Princípio da Superposição de Camadas:

Válido somente para estratos que estiverem em sua posição original, ele afirma que as camadas mais recentes sempre irão sobrepor as camadas mais antigas.

Fonte: LNEG

Princípio da Horizontalidade:

O estrato quanto sua formação, tem seus sedimentos depositados horizontalmente e paralelos a superfície de contato.


Fonte: Mundo Educação

Princípio da Continuidade Lateral:

As camadas se estendem até a borda da bacia de deposição ou se afinam lateralmente. Este princípio ajuda correlacionar a idade e a posição inicial de dois pacotes de rochas  contendo mesma sequência de estratos, quando posicionados em determinada distância.

Princípio da instersecção:
 A rocha que intersecta é mais jovem que as rochas intersectadas.

Princípio da Inclusão:

Fragmentos de rocha quando inclusos em outra rocha, são mais antigos que a rocha hospedeira.


Fonte: Google Imagens



A Litoestratigrafia:

Estuda a composição e disposição de camadas sedimentares no espaço e no tempo. Chegando a um agrupamento das unidades em membros, que sucessivamente são agrupados em formações (a unidade estratigráfica padrão), seguindo de grupos.
Como exemplo podemos falar das camadas de calcissiltitos membros da Formação Salitre, pertencente ao grupo Una.


Fonte: Rupestre Web Brasil

A relação espaço-temporal estabelecida pela litoestratigrafia, dita estratigrafia genética, engloba a geometria dos depósitos, assim como as descontinuidades que os delimitam, possibilitam correlacionar fácies equivalentes, que seriam pacotes de rochas com características distintas, sejam elas paleontológicas ou litológicos, porém se equivalem a uma mesma época paleogeograficamente falando.
A área da litoestratigrafia se expande e desenvolve principalmente no âmbito das pesquisas petrolíferas, este crescimento é atribuído ao uso de métodos geofísicos aplicados a estratigrafia genética, sendo os principais as diagrafias e a reflexão sísmica. A sísmica permitiu explicar a geometria dos corpos sedimentares, assim como sua a compreensão das suas relações espaço-temporais o que era inacessível numa região de afloramento, interpretações sedimentares em subsuperfície. O que implicou no desenvolvimento da sismoestratigrafia, a base para a estratigrafia de sequências.
A reflexão sísmica pode estar relacionada a discordâncias, contatos paraestratigráficos (óleo, água, intrusões, variações de fácies, etc), limites de unidades, ruídos e distorções.
As diagrafias possibilitam leitura composicional indireta das camadas, correspondem a um conjunto de registros de parâmetros e propriedades físicas dos sedimentos (resistividade, densidade, radioatividade natural, etc). Interpretação das fácies podem ser feitas posteriormente à correlação de amostras de  testemunhos, ou amostras de calha de menor custo, com os picos dos sinais diagráficos.


Fonte: Google imagens

Bioestratigrafia:

Um dos fundamentos da estratigrafia foi estabelecer uma escala do tempo geológico com base na utilização dos fósseis. Os fósseis não fornecem uma idade “absoluta” mas ainda são uma das melhores ferramentas para a cronologia relativa. Os fósseis estratigráficos são os organismos de grande extensão geográfica e de rápida evolução, são exemplos os trilobitas, os criptógamos vasculares, as amonites, etc. Eles permitem uma classificação de um estrato ou um terreno, pelo seu conteúdo biológico.
Uma cronozona se define como o conjunto de camadas sedimentares depositadas em um período que começa a aparição de determinada espécie e termina com sua última aparição, e uma biozona de uma espécie corresponde ao volume de camadas sedimentares que os contém, em um referencial de espaço-tempo.

Fonte: FCUL

Radioestratigrafia:

Estimar as idades, a duração dos processos geológicos são umas das principais metas da geocronologia. Já citamos os termos cronologia relativa e absoluta, o que pode transmitir a errônea ideia de precisão, e muitas vezes dados mas precisos são obtidos por cronologia relativa do que a cronologia absoluta parba a distinção de dois eventos geológicos.
A radiocronologia é considerado um dos métodos de datação absoluta, uma aplicação das descobertas sobre os processos de radioatividade. Quando há um isótopo radioativo de um elemento contido em algum mineral, partindo do momento de sua cristalização, este elemento se desintegra progressivamente, um fenômeno irreversível também chamado decaimento radioativo.
Como exemplo podemos tomar o método do radiocarbono, ou carbono 14, um método desenvolvido por Willard Libby um físico-químico americano que propôs que um isótopo do carbono instável (os isótopos estáveis são o carbono 12 e 13) e levemente radioativo, poderia existir em matéria viva. Libby e sua equipe publicaram o primeiro documento de datação por carbono, e em 1960 Willard Libby recebe o Prêmio Nobel De Química por suas pesquisas e descobertas na datação por radiocarbono.
Quando sabemos a quantidade de carbono 14 que é deixado em uma amostra, ele indica a idade do organismo no momento em que morreu.
 Ele é produzido na alta atmosfera por bombardeamento de nêutrons de átomos de nitrogênio. As plantas e os animais assimilam o carbono 14 a partir do CO2 ao longo de suas vidas, ao morrerem essa troca deixa de existir e com o a não renovação há um decaimento radioativo.



Fonte: Howstuffworks

Magnetoestratigrafia:

É uma técnica cronoestratigráficaca que permite datar rochas sedimentares e vulcânicas. O campo magnético terrestre vigora no momento da deposição de sedimentos, e como consequência ocorre a imantação remanente natural as rochas sedimentares, que segue a direção do campo
Com isso as séries sedimentares fornecem a sucessão das inversões de polaridade do campo geomagnético, estabelecendo constituída por magnetozonas normais (com direção igual a do campo atualmente) ou magnetozonas inversas. O fornecimento de intervalos iguais de tempo independente do meio , e em função do fenômeno de inversão é o objetivo da magnetoestratigrafia.

Fonte: Mito Revista Cultural 
Conclusão:

Os estudos na área da estratigrafia revolucionaram a perspectiva sobre a idade do planeta Terra, que na antiguidade acreditava-se possuir 6.000 anos, possibilitou um novo olhar também  sobre os fósseis. Contribuiu em avanços para a biologia com os princípios da evolução darwiniana, com a criação da escala do tempo, um importante instrumento utilizado na geologia e na paleontologia, assim como em estudos de cunho econômico como a prospecção mineral e petrolífera. A estratigrafia evolui e se expande com novas concepções e aplicações no cotidiano, se mostra uma área promissora e que vem atraindo muitos interessados  nos últimos anos.

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Referências:

POMEROL,C. et.al. Princípios de geologia: técnicas, modelos e teorias. 14 ed. Porto Alegre: Bookman,2013.



https://www.radiocarbon.com/portugues/sobre-carbono-datacao.htm

Artigo escrito por Letícia Brito e revisado por Isabel Schulz





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29/07/2018

Depósitos de Zinco e Chumbo
20:270 Comments
Os depósitos de zinco e chumbo estão presentes por todo o globo, seus casos mais famosos são o do vale do Mississippi e os Irlandeses. Por isso, esse tipo de depósito também é conhecido como "Mississippi ValleyType" e "Irish-Type". Esses minérios são muito importantes para a humanidade hoje, por isso é muito importante estudar onde eles podem ser encontrados na natureza e como esses depósitos se formam. O artigo de hoje tem como tema os depósitos hidrotermais que os produzem, seguindo um padrão que se repete em diferentes partes do mundo.
Depósito de zinco e chumbo em "Mississippi Valley". Imagem modificada, fonte na imagem.


Introdução

As principais características desse tipo de depósito é que eles são disseminados, ou seja, os veios que os abrigam estão espalhados em um volume de rocha muito maior do que o volume de minério. As rochas hospedeiras costumam ser rochas sedimentares carbonáticas (como, por exemplo, os calcários) que se encontram nas bordas de bacias sedimentares, em volta de antigas ilhas e em pontos altos do fundo do mar, onde o calcário foi depositado. Ele é um depósito hidrotermal, o que significa que um fluido quente percola as fraturas, cristalizando o minério como sulfetos.

Vale do Mississipi
Localização do vale do Mississipi nos Estados Unidos. Fonte: http://www.mvd.usace.army.mil/About/Mississippi-River-Commission-MRC/


O vale do Mississipi é o mais citado quando se fala nesse tipo de depósito, ele também é exemplo da forma ideal dele. Ele se estende do sul do estado de Wisconsin até o Kansas e Oklahoma em uma grande bacia sedimentar. Esse depósito foi formado nos éons proterozoico e fanerozoico (para entender melhor sobre a escala do tempo geológico clique aqui).
O minério se encontra exclusivamente no calcário, que está nas bordas da bacia. Esse depósito, diferente do que muitos pensam, não está diretamente relacionado à uma grande intrusão ígnea que originou o fluido. O que se acredita hoje é que o hidrotermalismo foi feito por água subterrânea de um aquífero poroso (clique aqui para ler mais sobre aquíferos), que se infiltrou em altas profundidades, extraindo constituintes solúveis dos minérios.
Essas soluções hidrotermais podem percorrer quilômetros enquanto se apropriam dos metais, até que encontrem situações favoráveis à cristalização. Para que possam se hospedar em alguma rocha, os fluidos se movem para cima, interagindo com o arenito e conglomerado que se encontram abaixo do calcário e se cristalizam como minério, preenchendo as cavidades da rocha carbonática.
Na maioria dos casos, o fluido quente é responsável pela dissolução dos carbonatos (que são conhecidos por sua pouca resistência à fluidos e altas temperaturas), criando fraturas na rocha e preenchendo-as com sulfetos de Pb e Zn.
O depósito também pode ser classificado como estratiforme, o que significa que ele se dispõe em camadas, sempre muito parecidas com os padrões de uma rocha sedimentar. Os principais minerais onde o zinco e o chumbo são encontrados são, respectivamente, esfalerita (ZnS) e galena (PbS).
Principais minerais para a extração do minério. Fonte: mindat.org


Brasil
No Brasil, a exploração desse tipo de depósito é menos expressiva, já que, muitas vezes, são encontradas dezenas à centenas de corpos mineralizados, mas os teores de chumbo e zinco não passam de 10-12%. Inclusive, as quantidades de Zn são geralmente maiores do que as de Pb.
Alguns dos depósitos desse tipo localizados no país são: Morro Agudo - MG; Faixa Itaiacoca - PR/SP; Alvo Morro do Chumbo, Nova Redenção - BA.

Importância dos metais

O chumbo é utilizado na fabricação de lâminas e canos de alta flexibilidade e resistência, em ligas metálicas, revestimento de cabos, tintas e pigmentos, aditivos plásticos, em placas protetoras contra radiações ionizantes, em soldas e revestimentos na indústria automotiva. Ele tem inúmeras utilidades devido a suas características de: boa maleabilidade, baixo ponto de fusão, resistência a corrosão, alta densidade, estabilidade química ao ambiente, opacidade aos raios X e gama.
Já o zinco, é principalmente utilizado para a formação de ligas, como, por exemplo, bronze e latão (ambos com o cobre), a galvanização de estruturas de aço e um aditivo de borrachas e tintas.

Conclusão

Zinco e Chumbo são metais de extrema importância, e o principal tipo de depósito onde eles são encontrados segue um padrão observado em todo o mundo. Por isso, é preciso estudar o vale do Mississipi e seus depósitos de hidrotermalismo.

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Referências:
https://www.britannica.com/science/mineral-deposit/Mississippi-Valley-type#ref624281
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/estratiforme.htm
https://revistas.ufpr.br/geociencias/article/download/4144/3343
repositorio.unb.br/.../Dissertação%20Luiz%20Paniago%20%20Neves%20n%20280.pdf
https://www.revistas.usp.br/bigsc/article/view/45070
http://www.twiki.ufba.br/twiki/pub/IGeo/GeolMono20122/TFG_Leidiane_2013.pdf
https://www.crq4.org.br/a_importancia_do_chumbo_na_historia
https://www.passeidireto.com/arquivo/43288603/quimica-inorganica
PRESS, Frank; SIEVER, Raymond; GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas H.Para Entender a Terra.4aedição. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Artigo escrito por Isabel Schulz e revisado por Isabela Rosario

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08/07/2018

#Climas: Introdução à Climatologia
22:270 Comments

A diversas paisagens que são observadas mundo afora são produtos das interações entre o sistema de tectônica de placas – que atua na construção do relevo – e do sistema de climas, que contribuem para o seu desgaste. No post de hoje, conheceremos mais sobre a Climatologia, fatores e elementos do clima e a importância de sua compreensão! 

Domínio de mares de morros, que abrange Ouro Preto e outros munícipios de Minas Gerais. Esse domínio é característico de áreas de climas quentes e úmidos. Fonte: http://www.amda.org.br/?string=interna-projetos&cod=13

Introdução

A climatologia é o estudo científico dos climas, que abrangem grandes extensões, por um longo período de tempo. Apesar de geralmente os conceitos de tempo e clima serem abordados como análogos, existe um fator que os distingue: a escala de tempo cronológico. Enquanto o tempo meteorológico se refere às condições atmosféricas em um dado instante e local, entende-se por clima como uma média das variações do tempo meteorológico por um período de 30-35 anos. 
Na Climatologia, frequentemente são usados elementos e fatores do clima para descrever o ambiente atmosférico. Os principais elementos que constituem os fatores climáticos são: temperatura, umidade, pressão atmosférica e radiação solar.
A temperatura é a intensidade do calor atmosférico em um determinado lugar, que pode ser mensurado através das escalas Fahrenheit (°F) ou Celsius (°C).
A umidade – geralmente expressa em porcentagem – é quantidade de vapor d’água existente na atmosfera e é proveniente dos processos de evapotranspiração das plantas (transferência de vapor d’água das plantas e do solo para a atmosfera).  
Já a força exercida pelo ar sobre uma superfície, definida como pressão atmosférica é expressa, geralmente, em milibares (mb). A pressão varia de acordo com a altitude, a temperatura e a latitude. Em locais mais altos, a pressão atmosférica é menor, pois quanto mais distante do centro da Terra (influência maior da força da gravidade) um ponto é, menor será a força exercida e, consequentemente, menor será a pressão que a atmosfera exercerá sobre ele.  

Monte Everest, situado na fronteira Nepal-Tibete. A pressão atmosférica na altitude de 8,85km corresponde a 250mmHg, enquanto ao nível do mar, a pressão atmosférica é de 760mmHg. Informações: Blamb / Shutterstock

A temperatura e a latitude também interferem na pressão atmosférica: quanto maior a temperatura, menor é a densidade do ar e, portanto, menor será a pressão. Em contrapartida, quanto menor for a temperatura, mais unidas estarão as partículas, aumentando sua densidade e, assim, a pressão aumentará. Em relação à latitude, a pressão atmosférica se comporta de maneira diretamente proporcional: locais de alta latitude apresentarão uma maior pressão atmosférica e locais de menor latitude, menor pressão atmosférica.  
Radiação solar é a forma pela qual a energia solar chega até a superfície terrestre. Nesse processo, cerca de 70% da energia solar é absorvida e 30% escapa no espaço exterior. A radiação infravermelha que chega à Terra é de suma importância pois é ela que irá gerar a elevação das temperaturas.
Os fatores climáticos são latitude, altitude, vegetação, maritimidade e continentalidade, correntes marítimas, correntes de ar e relevo. Estes, interferem nos elementos climáticos e nos climas.


Dinâmica das massas de ar atuantes na América do Sul durante o inverno. Fonte: marcosbau.com.br/geobrasil-2/climas-do-brasil/

Climatologia Brasileira 
A maior parte do território brasileiro (cerca de 90%) está localizado entre os trópicos de Câncer e Capricórnio e, por isso, ele é considerado um país tropical. A grande extensão territorial do país contribui para uma multiplicidade de tipos climáticos e, por sua vez, de paisagens naturais. 
Diversidade de climas no Brasil. Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1257
Os estudos acerca da climatologia tropical eram baseados nas perspectivas do conhecimento climático dos países de latitude média até por volta dos anos de 1970. Após a independência (1822), o Brasil obteve maior representatividade no cenário econômico mundial e apresentou um acervo considerável de documentos relacionados à caracterização dos seus climas e da atmosfera. Esses documentos são recentes, levando em consideração que os trabalhos mais aprofundados coincidem com a explosão da cafeicultura, que datam dos primórdios do século XX. Esses estudos contribuíram significativamente para estruturar os dados meteorológicos, com foco para a porção centro-sul do país. Nessa época, foram criados o Departamento Nacional de Meteorologia (DNMET), atual Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1940, a climatologia brasileira foi impulsionada e, na década seguinte, os estudos climáticos começaram a ser deslocados para as regiões Nordeste e Centro-Oeste. A partir de 1960 e 1970, os trabalhos climatológicos foram dirigidos nas perspectivas regionais e locais, além da preocupação com a questão ambiental. A evolução tecnológica no campo da climatologia permitiu grandes avanços nos últimos 20 anos, no entanto, ainda são poucas as áreas detalhadamente investigadas do Nordeste, Norte e Centro-Oeste do país.
Clima X Geologia                                                                           
A compreensão dos diversos tipos de clima é fundamental para o entendimento das interações entre os climas e os processos geológicos, como a tectônica de placas, formação de montanhas e erosão. As diferenças climáticas globais também estão associadas aos tipos de intemperismo: em locais onde predominam climas úmidos, com altas taxas de pluviosidade, o intemperismo químico será sobressalente; enquanto onde predominam climas secos, o intemperismo físico será preeminente.
É importante ressaltar que os processos geológicos também podem alterar os climas, como acontece no caso dos processos de vulcanismos que liberam gases, como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2). Depois da erupção, o SO2 reage com o vapor d’água na atmosfera para formar aerossóis (pequenas gotículas suspensas no ar e de alta mobilidade) de ácido sulfúrico. Uma camada de aerossóis pode atuar como um “efeito estufa”, impedindo que parte da radiação térmica escape, causando um aquecimento da superfície. Ademais, o impacto climático gerado por uma erupção depende também da altitude a que os voláteis serão ejetados e da latitude do vulcão.
Erupção em El Chicón, México, 1982. 7,5.1011kg de material foi ejetado. A temperatura no Hemisfério Norte foi alterada em -0,2ºC. Imagem: Robert I. Tilling (http://www.geotimes.org/nov07/article.html?id=feature_danger.html)
Conclusão
É fundamental compreender as dinâmicas locais e globais do clima, pois a Climatologia auxilia no entendimento de diversos processos físicos, químicos, biológicos e geológicos que interagem na grandiosidade do sistema Terra-vida. Ademais, do ponto de vista socioambiental, é de extrema importância compreender o que gera as mudanças climáticas para a vida na Terra e investigar suas consequências. 

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Artigo escrito por Amanda Couto e revisado por Carlos Eduardo
Referências
MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina dos Textos, 2007. 206 p.
CHARLES, Cockell et al. (Org.). Sistema terra-vida: uma introdução. São Paulo: Oficina dos Textos, 2011. 344 p.
https://www.ige.unicamp.br/terrae/V12/PDFv11/T056-1.pdf acesso em 07/07/2018
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Elementos-Que-Caracterizam-o-Clima-1267.html acesso em 07/07/2018
http://www2.icnf.pt/portal/ap/pnpg/geo acesso em 07/07/2018
http://climasdomundo.blogspot.com/2009/08/elementos-do-clima-sao-os-atributos.html acesso em 07/07/2018
http://www.professormendoncauenf.com.br/ag_elementosmeteorologicoseclimaticos.pdf acesso em 07/07/2018
http://www.mundogeomatica.com.br/cl/apostilateoricacl/capitulo8-eaporacaoevapotranspiracao.pdf acesso em 07/07/2018
https://novaescola.org.br/conteudo/2206/por-que-a-pressao-atmosferica-muda-com-a-altitude  acesso em 07/07/2018
https://geografalando.blogspot.com/2012/11/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html acesso em 08/07/2018
https://novaescola.org.br/conteudo/2206/por-que-a-pressao-atmosferica-muda-com-a-altitude acesso em 08/07/2018


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