Sobre Geologia

01/01/2022

Bem Vindos ao Sobre Geologia!
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Este blog foi criado em 14 de agosto de 2015, com o intuito de ajudar e compartilhar assuntos e temas ligados à Geologia com alunos, professores e entusiastas desta ciência, de forma gratuita e acessível.


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17/06/2018

Teoria “Snowball”
19:000 Comments

Observando o planeta Terra hoje, é muito difícil imaginar que ele já foi totalmente coberto por gelo, principalmente porque sabemos que os ambientes glaciais correspondem a apenas 10% da superfície terrestre (restrito aos polos Norte e Sul e ao topo das altas montanhas). Entretanto, a teoria “Snowball” (“bola de neve”) diz que uma glaciação intensa no período proterozoico fez com que a Terra ficasse totalmente coberta por gelo. No artigo de hoje, trataremos dessa hipótese que está a cada dia mais próxima da sua confirmação.
Representação gráfica da Terra durante o seu período "bola de neve".
Fonte: http://www.bbc.com/earth/story/20150112-did-snowball-earth-make-animals
Introdução:
Glaciações são períodos durante os quais boa parte da superfície da Terra fica coberta por gelo, sendo também conhecidas como “eras do gelo” ou “idades glaciais”. A idade glacial mais antiga de que se tem conhecimento ocorreu há 2,4 bilhões de anos atrás, e a mais recente há 11.500 anos.  Glaciações são frequentes na história do planeta, e acredita-se, inclusive, que elas representam um ciclo entre períodos glaciais e inter-glaciais.
Porém, durante muitos anos, mesmo com o conhecimento de que glaciações são frequentes, não era possível crer que em algum momento os trópicos haviam congelado também. Isso porque as leis naturais da época diziam que, devido à presença do Sol, os trópicos nunca poderiam passar por uma glaciação.
A teoria “Snowball” afirma que, diferente das outras glaciações, durante o período proterozoico, toda a Terra ficou coberta de gelo, inclusive os trópicos. Essa ideia dividiu os cientistas e ainda hoje causa muita discussão entre a comunidade das geociências.

Tempo geológico:
A última glaciação da época pré-cambriana ocorreu no proterozoico, entre 750 e 600 milhões de anos atrás. Durante esse período de tempo, fases de glaciação intercalaram-se com fases quentes. Acredita-se que a Terra “bola de neve” ocorreu nesse período, em uma dessas glaciações que se alastrou por todo o globo, tornando a temperatura média do planeta -40°C, aproximadamente, entre 650 e 600 milhões de anos atrás.
Escala do tempo geológico (para entender mais clique aqui).
Fonte: Geocultura.net

Evidências:
As maiores evidências da real ocorrência dessa bola de neve são os tilitos, que estão espalhados em todos os continentes terrestres. Tilitos são rochas sedimentares originadas da litificação dos clastos glaciais, o till. A característica própria do till é o seu pobre selecionamento, ou seja, tanto sedimentos grandes quanto pequenos se encontram juntos. Isso ocorre porque o poder de transporte da geleira é muito grande, então ela arrasta todos os tipos de sedimento e eles são depositados com o seu derretimento.
Isso foi observado pela primeira vez em um deserto da Namíbia (país que se encontra na região tropical), pelo geólogo Paul F. Hoffman, onde matacões, fragmentos de rocha com pelo menos 25cm, segundo a escala Wentworth (leia mais sobre esse assunto aqui), se encontravam entre sedimentos mais finos. Outros tipos de agentes transportadores, como a água e o vento, não teriam como transportar um fragmento tão grande como um matacão e, muito menos, junto com sedimentos tão finos.
Tilito encontrado na namíbia.
Fonte: snowballearth.org
Essas características não foram somente observadas na Namíbia, mas também em diversos países do mundo. Ao serem estudadas as idades dessas rochas, todas apresentavam período de formação igual: 600 milhões de anos atrás, durante o período proterozoico.
Essas descobertas fizeram com que cada vez mais a teoria fosse levada em consideração, mas, ao mesmo tempo, muitos contrapontos apareceram. Outra explicação para a presença desses tilitos em áreas tropicais era a de que os movimentos das placas tectônicas foram responsáveis por transportar os continentes para as áreas polares, onde geleiras se formaram, antes de transportar e depositar sedimentos. Essa ideia não só explicava essas rochas, como respeitava as leis naturais da época: caso estivesse correta, os trópicos nunca teriam congelado.
Existe uma forma de descobrir onde a rocha foi originalmente formada que poderia dar mais uma evidência à teoria, ou acabar de vez com ela. Essa forma é através do magnetismo. As rochas possuem minerais magnéticos que possuem uma direção magnética que se conserva, ou seja, se mantém o mesmo desde sua formação. Essa direção sempre acompanha o campo magnético do centro da Terra, então uma rocha formada nos polos teria uma direção vertical, enquanto uma formada no equador teria direção horizontal.
Analisando através de maquinas especializadas diversas rochas do mundo todo, foi descoberto que as rochas que se encontravam em países tropicais foram formadas nos trópicos, e não nos polos. Era mais um passo que a teoria Snowball dava para ser aceita pelos cientistas — todavia, ainda não se entendia como os trópicos foram congelados mesmo com o calor do sol.

Como a Terra congelou?
O climatologista russo Mikhail Budyko, durante a década de 1950, percebeu que grande parte do calor da Terra é mantido por causa dos oceanos. Por serem escuros, eles absorvem a energia solar, que mantém a temperatura do planeta. Já as geleiras, que são claras, refletem a luz solar, portanto, quanto mais geleiras o planeta tiver, mais frio ele vai se manter.
Com essa observação, foi possível entender porque os trópicos foram congelados, embora, ao mesmo tempo apresentasse um contraponto a teoria. Se quanto mais gelo a Terra têm, mais fria ela fica, como as temperaturas conseguiram aumentar e se tornarem amenas de novo?
A resposta para essa pergunta está nos vulcões. O gelo é capaz de cobrir apenas a superfície da Terra, mas o interior continua absurdamente quente, fazendo com que, desse modo, os vulcões sobrevivessem ao congelamento. Entretanto, não foi a lava que derreteu o gelo. A quantidade de magma que foi expelida pelos vulcões da época não é suficiente para derreter o gelo que cobria completamente o planeta.
O real responsável para a mudança climática do mundo (assim como hoje), foi o gás carbônico. Vulcões expelem gás sempre, e o principal gás expelido é o CO2, responsável pelo efeito estufa — que mantém a temperatura do planeta alta. Durante os 10 milhões de anos que duraram essa glaciação, o gás se acumulou na atmosfera, chegando a representar 10% dela. A título de comparação: hoje ele representa menos de 1%.
A água da chuva é capaz de limpar parte do gás carbônico da atmosfera, mas como os oceanos estavam cobertos por gelo, não existia água líquida para evaporar, então não chovia. Foi essa falta de chuva a responsável pela acumulação. A temperatura da Terra aumentou novamente, ao ponto de ser capaz de derreter o gelo.
Uma forte evidência da grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera durante a glaciação é encontrada nos depósitos de tilito, espalhados pelo mundo. Em muitos deles são encontradas camadas de calcário e/ou dolomita (rochas carbonáticas) depositadas logo acima. Esse tipo de organização é vista nos desertos da Namíbia, mas também é encontrada no Brasil. As bordas dos grabens Pimenta Bueno e Colorado, ambos localizados na bacia Parecis, que por sua vez se encontra no cráton Amazônico, apresentam esse tipo de depósito.
Contato entre diamictito glacial (sinônimo de tilito) - "glacial diamictite" e rocha carbonática - "cap-carbonate".
Fonte: snowballearth.org

Contra-argumentos da biologia:
A teoria finalmente parecia estar correta, mas, ao ser apresentada nas universidades, foi contestada por biólogos. Existiam evidências no mesmo período da existência de cianobactérias nos oceanos, seres-vivos que precisam da luz solar para realizar fotossíntese. Com os oceanos completamente cobertos por uma grande camada de gelo, a luz solar não seria o suficiente para a geração de energia.
O astrobiólogo Chris McKay, especializado em seres vivos que vivem em ambientes extremos, decidido a descobrir se a sobrevivência das cianobactérias seria possível em uma Terra congelada, viajou até os polos para estudar as cianobactérias dos oceanos cobertos de gelo que ainda existem hoje. O resultado foi que, não só as cianobactérias, como outros seres vivos, a exemplo de alguns tipos de algas, eram capazes de sobreviver nessas condições extremas.

Conclusão:
A Teoria Snowball ainda é somente uma teoria, mas apresenta evidências claríssimas de que pode ser uma realidade. É muito respeitada no meio geológico e os estudos devem evoluir ainda mais para uma resposta definitiva.

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Referências:
http://www.bbc.co.uk/science/earth/earth_timeline/snowball_earth Acessado em: 08/06/2018
https://www.britannica.com/science/ice-age-geology Acessado em: 08/06/2018
https://www.britannica.com/science/glacial-stage Acessado em: 08/06/2018
http://sigep.cprm.gov.br/glossario/verbete/matacao.htm Acessado em: 10/06/2018
http://www.snowballearth.org Acessado em: 10/06/2018
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0895981116302346Acessado em: 10/06/2018
PRESS, Frank; SIEVER, Raymond; GROTZINGER, John; JORDAN, Thomas H.Para Entender a Terra.4aedição. Porto Alegre: Bookman, 2006.


Artigo escrito por Isabel Schulz e revisado por Isabela Rosario
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04/06/2018

A História da Geologia
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O planeta Terra e as paisagens naturais intrigam a humanidade desde a antiguidade com questões sobre seu surgimento e origem. Buscar explicações para o aparecimento de cadeias de montanhas, nascimento de rios, tremores, origem e aplicação das rochas e minerais são atividades já praticadas por nossos antepassados No artigo de hoje, conheceremos mais sobre como surgiu e se desenvolveu essa investigação, ou seja, a história da geologia!

Na pré-história a superfície terrestre já era explorada, principalmente por atividades extrativistas como a mineração, necessária para a confecção de instrumentos de caça. Filósofos gregos conhecidos atualmente como pré-socráticos, como Parmênides, Tales de Mileto, por exemplo, já observavam e pesquisavam a natureza (physis).
A geologia é uma ciência relativamente jovem pois antes estava agregada as chamadas “Ciências Naturais”. O ano atribuído para o surgimento da geologia como ciência independente está compreendido entre 1775 e 1830. A palavra “geologia” seria usada pela primeira vez em 1778 por Jean-André Deluc, e seria introduzida definitivamente por Horace-Bénédict de Saussurre, em 1779.
Foi longo o processo para a obtenção da geologia da maneira em que conhecemos atualmente como resultado, grandes nomes marcaram a história dessa ciência e estes estão divididos no período anterior e posterior a revolução científica.

Fonte:http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/pontas-de-um-passado-remoto/


Antiguidade
Shen Kuo (1031-1095)

 Fonte: https://www.laphamsquarterly.org/contributors/kuo

A partir da observação de conchas fósseis em uma montanha localizada muito distante do mar, elaborou a hipótese para explicar a formação de novas terras, defendeu que a terra se formava da erosão das montanhas seguida pela deposição da matéria.

Georgius Agricola (1494-1555)

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Georgius_Agricola.jpg/200px-Georgius_Agricola.jpg

Considerado o pai da mineralogia, descreveu e registrou as operações mineiras e metalúrgicas em seu livro “De Re Metallica”. Sua obra “De Natura Fossilium”, o primeiro manual de mineralogia feito pelo homem, lhe conferiu o título de pai da Mineralogia.

Nicolaus Steno (1638-1686)

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/Niels_stensen.png/198px-Niels_stensen.png

Considerado o pai da estratigrafia, Nicoulaus Steno elaborou os 5 princípios básicos da estratigrafia: Princípio da Horizontalidade Original; Princípio da Continuidade Lateral; Princípio da Sobreposição de Estratos; Princípio das Relações de Corte ou Princípio da Intersecção; Princípio das Inclusões.


Geologia Moderna
James Hutton (1726-1797)
Fonte: https://moderngeology.com/images/hutton.png

Visto como o pai da geologia moderna, em 1795 publica um livro em dois volumes contendo a intitulada “Teoria da Terra”. A teoria propôs que a Terra seria mais velha que o suposto anteriormente. Propôs também a teoria do plutonismo, que afirma que todas as rochas da superfície terrestre teriam sido criadas por atividade vulcânica, a teoria surgiu em reação ao Netunismo de Abraham Werner. Autor também o Uniformitarismo.

Abraham Werner (1749-1817)

Fonte: https://images.gr-assets.com/authors/1398534582p5/4061208.jpg

Fundador da Mineralogia moderna, sendo o primeiro a classificar sistematicamente os minerais. Estabeleceu ao fim do século XVIII a escola Netunista que defendia a teoria conhecida como Netunismo ou Wernerismo, que afirmava que as rochas eram formadas pela deposição dos minerais existentes em um oceano primordial.

William Smith (1779-1839)


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6f/William_Smith_%28geologist%29.jpg/1200px-William_Smith_%28geologist%29.jpg

Em 1815 confeccionou o primeiro mapa geológico (Mapa Geral dos Estratos da Inglaterra e País de Gales). E foi o primeiro a estabelecer um princípio de datação relativa das rochas a partir dos fósseis.



Fonte:IB-USP

Charles Lyell (1797-1875)

Um dos fundadores da estratigrafia, sua obra influenciou muito a geologia moderna. Definiu a teoria do Uniformitarismo, anteriormente proposta por Hutton, conhecida pela frase “o presente é a chave do passado” que pressupõe uma uniformidade temporal dos processos geológicos, os processos que ocorrem hoje também ocorriam no passado; e a formação de estruturas é resultado de processos gradativos e lentos.

Fonte: https://jamescungureanu.files.wordpress.com/2015/01/charles-lyell.jpg

Alfred Wegener (1880-1930)

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Wegener

Propôs a teoria da Deriva Continental, um marco revolucionário para a história da geologia. A teoria afirmava que todos os continentes já estiveram unidos um dia, como um quebra-cabeça.
Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/deriva-continental.jpg

Geologia no Brasil

No Brasil Colonial o extrativismo predominava, a cana-de-açúcar deu lugar a mineração como principal atividade econômica a partir do século XVIII. A extração de metais preciosos se intensificou no período de 1700 a 1895, tendo como maiores produtores Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e São Paulo, respectivamente. Expedições em busca de ouro se iniciaram no século XVIII e se desenvolverem em três séculos. Em 1651 chegam ao Brasil mineiros treinados em Portugal para a “Jornada do Ouro” do Rio Pacajá.
A extração era feita a céu aberto em depósitos do tipo placer (um depósito de minério superficial, concentrado mecanicamente dentro de cascalhos, originado de correntes fluviais, marinhas ou eólicas), com trabalho braçal realizado por escravizados.
Os melhores depósitos entraram em exaustão e esse foi um dos principais motivos da decadência, que iniciou ainda no século XVIII e continuou no séc.XIX. A decadência das minas se deu por conta da perda do valor econômico do ouro e do diamante no mercado internacional, além do uso de técnicas primitivas e ignorância dos donos das minas. No período colonial do Brasil as máquinas usadas na mineração já eram consideradas antiquadas quando comparadas ao equipamento utilizado na Europa.
No último quarto do século XVIII diversas obras, entre livros e artigos, foram escritas com intuito de melhorar o desempenho técnico da mineração no Brasil e combater a decadência atual das minas. A produção dessas obras foi uma ação conjunta de profissionais das áreas da mineralogia, metalurgia, química e geologia da Univerdade de Coimbra e da Academia de Ciências de Lisboa.
Chegada da geologia moderna (1790-1810) se deve ao período em que houve o desenvolvimento em atividades dos cientistas das áreas já citadas, e este momento chegou com o Iluminismo. Na segunda metade do século XIX surgiram muitos interessados pela geologia e os recursos naturais do Brasil, destacando-se Harry Rosenbusch (fundador da mineralogia alemã), que viveu alguns anos na Bahia, e o paleontólogo-biólogo Hermam von lhering, que viveu cerca de 20 anos no Brasil.
Até a década de 50 (século XX) a maioria das publicações brasileiras eram escritas em inglês, francês ou alemão. Este quadro se modificou com a ocorrência de congressos nacionais e outros eventos, focando principalmente na geologia econômica. É reconhecido que o Departamento Nacional de Produção Mineral- DNPM, foi o grande propulsou do desenvolvimento do conhecimento geológico no Brasil, quando em 1949 contratou geólogos estrangeiros, estes se tornaram responsáveis por grandes contribuições à geologia brasileira.
O Brasil manteve uma comunidade geocientífica em quantidade razoável, essa se tornou responsável por grandes avanços em pesquisas no campo brasileiro, com esses avanços em 1960 os primeiros geólogos brasileiros, a nível de graduação, eram formados.


Referências:
LINS, Fernando Antônio de Freitas. Brasil 500 anos- a construção do Brasil e da América Latina: histórico, atualidades e perspectivas. Rio de Janeiro: CETEM/MCT,2000.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_geologia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Geologia
http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2011/12/hutton-e-lyell-conheca-vida-e-obra-dos-precursores-da-geologia.html
http://www.fgel.uerj.br/dgrg/webdgrg/Timescale/g_lyel.html
https://super.abril.com.br/ciencia/conheca-o-cientista-alemao-alfred-wegener-pai-da-deriva-continental/
http://www.ccvestremoz.uevora.pt/upload/pdf/conversas5_principiosGeologia.pdf
http://www.museunacional.ufrj.br/dgp/O_que_e_geologia.pdf
http://www.geologiadobrasil.com.br/george_agricola.html
http://www.monografias.ufop.br/bitstream/35400000/447/1/MONOGRAFIA_PapelGeologiaDesenvolvimento.pdf
http://www.geologo.com.br/o%20conhecimento%20geol%C3%B3gico%20no%20brasil.htm

Artigo escrito por Letícia Brito e revisado por Ana Julia

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20/05/2018

Geologia Médica - Uma Introdução
19:000 Comments


 E se uma ciência da Terra se unisse às ciências ambientais e às da vida? É isso que ocorre com a Geologia Médica, que é o tema do post de hoje!
A geologia médica é uma ciência recente, que visa compreender a relação entre fatores geológicos e ambientais com a ocorrência de enfermidades que acometem a população de uma determinada região. Além disso, a geologia médica é vista como uma ciência interdisciplinar, pois vale-se da colaboração de profissionais de diversas áreas, como geólogos, toxicologistas, biólogos, agrônomos, químicos, médicos, veterinários, entre outros. Esse trabalho conjunto é fundamental para a adoção de medidas preventivas no quesito dos malefícios à saúde dos seres vivos tanto pela exposição excessiva quanto deficiência de elementos químicos presentes no ambiente, seja em decorrência de fatores naturais ou antropogênicos.



Sabemos que os seres vivos modificam e ao mesmo tempo são influenciados pelo ambiente onde estabelecem suas interações. Os solos, que são palco de diversas interações biológicas, são constituídos basicamente pelo intemperismo das rochas e, consequentemente, refletem o quimismo destas. Os elementos químicos presentes em um solo estarão presentes nos vegetais ali cultivados e nos animais silvestres que os consumirem. Através desse consumo, por meio das águas que transpassam os solos e as rochas e pela inalação de gases e poeiras expelidos através de processos geológicos, diversos elementos químicos chegam aos organismos dos seres vivos. Dentre os elementos químicos conhecidos, vinte e cinco são considerados essenciais para os seres humanos, sendo o carbono (C), oxigênio (O), hidrogênio (H) e nitrogênio (N) os mais importantes, por participarem da estrutura do DNA e de proteínas, além de outros processos fundamentais para o funcionamento do organismo humano. Os outros vinte e um elementos essenciais são classificados em macronutrientes (Ca, Cl, P, K, Na, S) e micronutrientes (Mg, Si, Fe, F, Zn, Cu, Mn, Sn, I, Se, Ni, Mo, V, Cr, Co). Outros elementos – apesar de não essenciais – podem ser absorvidos e depositados no corpo humano através de sua ingestão ou inalação, como o Al, Ba,Cd, Pb, As, Hg, Sr, U, Ag e Au e podem ser danosos à saúde, se presentes em alta concentração.




Fonte: PGAGEM, CPRM.



A contaminação por arsênio (As) em Bangladesh

A partir da década de 70 a população de Bangladesh, país asiático, foi exposta a elevados teores de arsênio com a perfuração de poços pelo governo, que levariam água com melhor qualidade para habitantes da zona rural. No entanto, a análise das águas dos poços mostrou que 50 microgramas de As é encontrado para cada litro de água nos primeiros 150m de profundidade. A exposição a elevadas concentrações de arsênio está associada a doenças como o câncer de pele, problemas no sistema nervoso, medula óssea, fígado e coração.

A fonte de arsênio é natural, o elemento encontra-se nos minerais constituintes das rochas, principalmente em óxidos de ferro e sulfetos, como pirita e arsenopirita. Na estrutura desses minerais o arsênio não representa um problema, mas sim quando liberado em solução devido a redução dos óxidos e hidróxidos de ferro pela ação de bactérias.


Imagem: contaminação por As, disponível em:
http://professoralucianekawa.blogspot.com.br/2014/08/bangladesh-o-maior-envenenamento-por.html



A geologia médica no Brasil

No Brasil, a geologia médica teve um maior crescimento a partir de 2003, com a criação do REGAGEM (Rede Nacional de Pesquisa em Geoquímica Ambiental e Geologia Médica) e a realização do PGAGEM (Programa Nacional de Pesquisa em Geoquímica Ambiental e Geologia Médica). Vários trabalhos em várias regiões brasileiras foram realizados a fim de estudar mais detalhadamente as suas condições geoquímicas e os possíveis danos à saúde relacionados, como no nordeste do Pará, que apresentou altos teores de chumbo e alumínio; em Lagoa Real, na Bahia, onde os teores de urânio na água subterrânea utilizada para consumo ultrapassaram os valores máximos permitidos; em Lavras do Sul (RS), as amostras do solo apresentaram contaminação proveniente das atividades mineradoras pretéritas, com concentrações elevadas de prata, arsênio e cobre.


A geologia médica é uma ciência inovadora e apesar de recente, revela a sua importância para a melhor compreensão e utilização do ambiente e desenvolvimento de medidas em acordo com os setores da saúde pública e conscientização dos moradores de áreas contaminadas.



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Referências: 


https://www.cprm.gov.br/publique/Gestao-Territorial/Geologia-Medica-41 acesso em 19/05/2018

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/vinte-milhoes-de-pobres-bebem-agua-contaminada-em-bangladesh.html acesso em 20/05/2018

http://professoralucianekawa.blogspot.com.br/2014/08/bangladesh-o-maior-envenenamento-por.html acesso em 20/05/2018

http://www.cprm.gov.br/publique/media/gestao_territorial/geologia_medica/slides_palestraII.pdf acesso em 20/05/2018

DA SILVA, Cássio Roberto et al. (Org.). Geologia médica no Brasil: efeitos dos materiais e fatores geológicos na saúde humana, animal e meio ambiente. Rio de Janeiro: CPRM - Serviço Geológico do Brasil, 2006. 220 p. Disponível em: <http://www.cprm.gov.br/didote/pdf/Geologia_medica_Brasil.pdf>. Acesso em: 17 maio 2018.

http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=129 acesso em 18/05/2018

http://www.sbpcnet.org.br/livro/60ra/textos/CO-BernardinoFigueiredo.pdf acesso em 18/05/2018


Artigo escrito por Amanda Couto e revisado por Isabela Rosario

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